Rádio Renascença  - 17 Set 08

 

Divórcio, culpa e disparate
Graça Franco

 

Muito provavelmente, a lei passará. Resta ao Presidente vetá-la. Esperemos que o faça assumindo a culpa de não deixar passar o disparate.

 

Em Portugal a culpa morre invariavelmente solteira.

 

Já sabíamos.

 

O que não se previa é que o PS, mais uma vez a reboque do Bloco de Esquerda e da sua agenda fracturante, quisesse agora afastar definitivamente e por decreto a Culpa do casamento. Senão do seu começo, porque quem escolhe casar-se continua culpado dessa escolha, pelo menos do seu fim.

 

Em caso de divórcio acabam-se os culpados. Apenas vítimas e inocentes.

 

Não haverá violação culposa dos deveres conjugais. Apenas, como sempre em Portugal, violação dos deveres… sem culpa!

 

Revoltaram-se os juízes, prevendo a calamidade dos tribunais entupidos com a definição de um complicado "Balanço e Contas" imposto pela falência da vida conjugal. Porque a vida real tem destas coisas e não se compadece com decretos.

 

Cavaco alertou para o erro e pediu bom senso.

 

A maioria arrogante aceitou clarificar que só haverá direito a indemnização se alguém tiver abdicado da respectiva carreira renunciando de "forma excessiva à satisfação dos seus interesses"!

 

Esta tarde, muito provavelmente, a lei passará – com apenas esta emenda. Resta ao Presidente vetá-la.

 

Esperemos que o faça assumindo a culpa de não deixar passar o disparate.

 

Aparentemente, o PS esqueceu que o divórcio sem culpa, sem tribunais e sem Deve e Haver já existe. Está previsto na união de facto e está protegido por lei.