Público última hora  - 09 Set 08

 

Estatísticas do ensino
PSD acusa Sócrates de fazer propaganda com resultados de "aprovações administrativas"

 

O PSD acusou hoje o primeiro-ministro, José Sócrates, de fazer propaganda com as estatísticas do ensino e contestou que tenha havido um progresso na educação, defendendo que os resultados se devem a "medidas facilitistas" e "aprovações administrativas".

 

A posição do PSD foi transmitida pelo deputado social-democrata Pedro Duarte, que considerou que os mais prejudicados pela política educativa do Governo são os mais pobres, porque "aqueles que podem recorrer ao ensino privado podem ter acesso a um ensino de qualidade e exigente". Pedro Duarte acusou por isso o Governo de seguir uma política "muito pouco socialista". "O PSD gostaria de denunciar e manifestar a sua indignação por mais uma acção de propaganda a que hoje o país assistiu por parte do senhor primeiro-ministro", declarou Pedro Duarte aos jornalistas, no Parlamento.

 

O deputado social-democrata referia-se aos resultados escolares do ano lectivo 2007/2008 hoje apresentados por José Sócrates e pela ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. "O Governo anunciou que no ano passado tivemos os melhores resultados ou pelo menos o menor número de reprovações no nosso ensino na última década", assinalou Pedro Duarte.

 

"Eu creio que hoje caiu a máscara da política educativa deste Governo. Ficámos a perceber sem qualquer dúvida que as medidas que o Governo tem vindo a tomar na área educativa não mais visavam do que este número mediático, do que esta encenação e esta fantasia estatística", sustentou, em seguida. Segundo o ex-secretário de Estado da Juventude, "estes resultados devem-se única e exclusivamente a um conjunto de medidas facilitistas que este Governo tem vindo a tomar nos últimos meses e que naturalmente não poderiam deixar de conduzir a estes resultados estatísticos".

 

Progressão na carreira

 

"São aprovações que por vezes não passam de aprovações administrativas", reforçou Pedro Duarte. "Foi este Governo que criou incentivos especiais aos professores e às escolas indexando as notas que dão aos seus alunos àquilo que é a sua avaliação e portanto também à progressão na sua carreira", apontou.

 

Pedro Duarte salientou também que "foi este Governo que acabou com as provas globais no 9º ano" e "com exames nacionais como o exame de filosofia no 12º ano" e que "aprovou um Estatuto do Aluno que não consagra as faltas injustificadas". "Foi este Governo que aprovou cursos de formação no âmbito do programa Novas Oportunidades como por exemplo um curso de jogador de futebol que dá equivalência ao 9º ano", acrescentou.

 

O ex-presidente da JSD alegou ainda que "os exames nacionais foram unanimemente considerados por todos os especialistas como mais fáceis do que em qualquer outro ano", concluindo: "Assim é fácil termos resultados e termos muitas aprovações". Contestando o balanço feito pelo primeiro-ministro, Pedro Duarte contrapôs que com o actual executivo "diminuiu a exigência no ensino" e "aumentou a violência e o desrespeito pelos professores".

 

Lusa