Jornal de Negócios - 04 Set 08

 

Espanha suspende contratação de novos imigrantes

 

O governo espanhol vai rever todos os planos e programas de emprego em vigor em Espanha, para ver se se adequam à actual conjuntura económica, paralisando, para já, a contratação de imigrantes nos países de origem.

 

O anúncio foi feito pelo ministro do Trabalho e Imigração, Celestino Corbacho, que apelou aos governos regionais -- que têm a maior parte das competências nesta áreas -- para que "remem na mesma direcção" perante a crise económica.

 

Além da revisão dos planos em vigor o executivo quer ainda melhorar e modernizar os Serviços Públicos de Emprego -- "perante as novas necessidades do mercado" -- e reformar o programa de Formação Profissional.

 

Até ao final do ano o governo quer ter também pronto o esboço do Estatuto da Lei do Trabalhador Autónomo, garantindo para os cerca de três milhões de espanhóis neste grupo melhor protecção social.

 

Estas e outras matérias vão dominar a nova ronda de diálogo social com sindicatos e patronato, que o governo iniciará em breve, e que procurará apostar em "mudanças estruturais" para responder a novos modelos de produção e identificar novas vias de crescimento económico.

 

Perante a crise, porém, Corbacho admitiu já que muitos dos empregos perdidos nos últimos meses poderão tardar em recuperar, com a criação de empregos praticamente estagnada e o maior número de desempregados em 10 anos.

 

Afectado igualmente pela crise estará o projecto de reordenação da imigração em Espanha, com a tendência para o quase desaparecimento da contratação na origem, que desde 2004 importa mão-de-obra para cargos de difícil ocupação por espanhóis.

 

"Não parece razoável que com 2,5 milhões de desempregados continuemos a recorrer à contratação na origem", disse, explicando que no ano passado vieram para Espanha 200 mil trabalhadores contratados na origem.