Público - 22 Out 08

 

ECONOMIA
Crédito malparado volta a subir

 

O volume do crédito malparado continua a registar taxas de crescimento recorde e, no caso dos empréstimos a particulares, o seu peso no total do crédito concedido subiu pelo 12.º mês consecutivo.

 

De acordo com os dados ontem publicados pelo Banco de Portugal, em Agosto, o crédito malparado registou, nos empréstimos a particulares, uma variação de 26,5 por cento face ao mesmo mês do ano passado. Este é um valor que se aproxima do máximo de 27,5 por cento atingido em Agosto de 2002, quando a economia se preparava para entrar em recessão e o desemprego disparava.

 

No caso das empresas, a subida é ainda mais rápida. A variação homóloga foi, em Agosto, de 36,8 por cento, o valor mais alto desde pelo menos Dezembro de 2007, data em que o Banco de Portugal começou a publicar estes dados.

 

A principal diferença do actual cenário face ao que se vivia antes do euro e das taxas de juro baixas, é o relativamente baixo peso que o crédito malparado tem no total dos empréstimos concedidos. Mas mesmo aqui, a tendência é bastante negativa. No caso dos particulares, o peso do malparado atingiu em Agosto um valor de 2,1 por cento, concretizando a 12.ª subida consecutiva e colocando-se ao nível mais elevado desde Abril de 2005. Ainda assim, este valor está distante dos 2,9 por cento que se verificavam há precisamente dez anos.

 

No caso das empresas, o peso do malparado também está a subir de forma rápida, ultrapassando agora, pela primeira vez desde 2004, a marca dos dois por cento. Em 2008, o valor era de 5,8 por cento.

 

Exportações diminuem

 

Mas não é só ao nível do crédito que Portugal sente os efeitos da crise internacional. As exportações também estão a ser afectadas. Depois de um mês de Julho positivo, as empresas portuguesas voltaram a sentir dificuldades em vender os seus bens e serviços no estrangeiro. Segundo o Banco de Portugal, em Agosto, as exportações portuguesas registaram, em termos nominais, uma quebra de 0,3 por cento face ao mês homólogo do ano anterior. As vendas de bens mantiveram-se praticamente inalteradas, enquanto a prestação de serviços para o estrangeiro (que este ano têm sustentado as exportações portuguesas) caíram 0,7 por cento.

 

Em termos históricos, são raros os meses em que as exportações portuguesas caem em termos nominais. Durante os últimos três anos, apenas tinha acontecido em mais um mês, o de Março de 2008, o que mostra os problemas que se fazem sentir no sector exportador nacional. S.A.