Diário de Notícias  - 17 Out 08

 

Há mais portugueses a recorrer a instituições
Ana Bela Ferreira

 

Pobreza. Números da AMI revelam aumento significativo de carenciados

 

AMI ajudou 1400 pessoas, pela primeira vez, até final do mês de Junho

 

Nos primeiros seis meses do ano, 4695 portugueses procuraram apoio social junto das estruturas da AMI. Um número que representa 64% do valor total de pessoas que recorreram à AMI durante todo o ano de 2007 e um dado revelador do empobrecimento crescente das famílias em Portugal. Uma realidade para reflectir, em especial hoje, que se assinala o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza.

 

A maioria das pessoas que recorreram ao apoio da AMI tem entre os 21 e os 59 anos, ou seja, está em plena idade activa. De acordo com os dados divulgados pela instituição, das 4695 que já pediram auxílio este ano, 1400 fizeram-no pela primeira vez.

 

O principal motivo apontado por quem chega aos centros sociais Porta Amiga é "a precariedade financeira", revela a AMI, em comunicado. As pessoas que recorrem a este apoio social procuram maioritariamente os serviços de distribuição de géneros alimentares, roupa e medicamentos. Uma situação preocupante, tendo em conta o aviso da AMI: "a quantidade de alimentos é cada vez menor, enquanto aumenta o número de famílias apoiadas".

 

O serviço de Apoio Domiciliário da AMI serviu, no primeiro semestre, 74 pessoas, 93% das quais com mais de 70 anos. À semelhança dos outros casos, o número de pessoas que pediu ajuda está "muito acima da média anual verificada ao longo dos últimos oito anos", diz o documento.

 

Também os abrigos nocturnos registaram um aumento de afluência, graças ao registo de novos casos de homens sem-abrigo. As equipas de rua que actuam em Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia também registaram um crescimento na procura. Nos primeiros seis meses de 2008, contabilizaram-se 60 novos casos, enquanto durante todo o ano de 2007 foram atendidas 85 pessoas.

 

O balanço da AMI mostra um aumento da pobreza em Portugal, facto que a instituição considera "preocupante" no que respeita à capacidade de resposta das ONG.