Público - 08 Out 07

Cardeais e bispos europeus reunidos em Fátima manifestaram preocupação com mudanças na família
Mariana Oliveira


O aumento dos divórcios e das uniões de factos, a diminuição dos casamentos e o crescimento das famílias monoparentais e de crianças nascidas fora do matrimónio são elementos comuns aos países europeus e das preocupações que motivaram mais debate no Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que começou quinta-feira e terminou ontem em Fátima, no ano em que se celebram 90 anos sobre as aparições. O diálogo ecuménico também esteve em cima da mesa neste encontro.
"Não se trata de não aceitar as crianças por falta de desejo, pois todas as sondagens de opinião demonstram que os jovens desejam o matrimónio, a família e também os filhos. Mas não se sentem capazes de aceitar os problemas e a responsabilidade e também as dificuldades económicas e sociais inerentes a uma família com filhos", sustenta o presidente da CCEE, o cardeal Peter Erdo, à Agência Eclesia, da Igreja Católica.
O cardeal Jean Pierre Ricard, da França e vice-presidente do CCEE, sublinha "a necessidade de uma coragem civil para fazer valer o ideal de um matrimónio cristão, que deve ser reforçado na sociedade". "Hoje a Igreja na Europa reafirma que o futuro da sociedade europeia passa pela família. Se a perder, perderá o seu futuro", apontou, citado pela Eclesia.
O presidente da CCEE acredita que a vocação humana é para a "estabilidade e é essa estabilidade que permite a fundação da família". No entanto, constata, a tendência é viver junto sem formalizar laços, o que, diz, "não é ideal para a estabilidade da vida".
Para o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, são "a globalização e o laicismo" que estão "a permear as famílias no contexto europeu". D. Jorge Ortiga entende que o encontro permitiu concluir ser necessário, para, salvar o futuro da Igreja e da sociedade, "um investimento muito maior na família".
A par do tema, a CCEE discutiu ainda o ecumenismo. "É muito necessário os países da Europa Ocidental estarem em contacto com os ortodoxos e perceber também as complexidades das suas Igrejas", afirma o secretário da Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales.
Durante os trabalhos foi aprovada a entrada das Conferências do Principado do Mónaco e da Moldávia na CCEE, que passa de 34 para 36 membros.