Diário de Notícias - 27 Out 06

Crise social regressa aos subúrbios de Paris

Luís Naves

 

Três autocarros dos transportes públicos foram ontem atacados na periferia de Paris, tendo havido outros incidentes que revelam um aumento da tensão social nos subúrbios. Um dos ataques foi à mão armada, quando um grupo de jovens se apoderou do veículo, ameaçando e roubando os passageiros. O motorista chegou a ter uma pistola apontada à cabeça. Esvaziado o autocarro, os atacantes levaram-no para um ponto entre Bagnolet e Montreuil e incendiaram-no. O incidente ocorreu na mesma zona onde começaram os tumultos do ano passado.

Ao mesmo tempo, dois outros bandos, aparentemente não armados, atacaram autocarros em pontos distintos dos subúrbios. A operação foi menos violenta, mas num dos incidentes o veículo acabou por ser incendiado, sem que houvesse feridos. No domingo, já ocorrera um assalto em tudo semelhante.

Numa primeira reacção, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, prometeu que "haveria sanções imediatas e exemplares". Villepin realizou a sua conferência de imprensa mensal em Cergy, um subúrbio de Paris, e renovou um pacote de cem milhões de euros para apoiar as associações no terreno. Esta verba junta-se aos 35 mil milhões a gastar até 2013 em renovação urbana. Os bairros estão muito afectados pelo desemprego, fenómeno que chega a atingir 40%.

Os subúrbios de Paris foram abalados por motins, faz agora um ano. Durante três semanas, a violência alastrou sem controlo. Bandos de jovens, entre eles numerosos filhos de imigrantes de origem árabe, envolveram-se em confrontos com a polícia. Foram destruídos mais de 300 edifícios, incluindo escolas e lojas. Houve centenas de feridos e dez mil veículos foram incinerados.