Público - 19 Out 06

Utentes contra insegurança na Linha de Sintra

 

Acção de gangs organizados é responsável pelo alegado aumento da insegurança. CP nega agravamento
da situação

 

Sindicatos da polícia e dos ferroviários juntaram-se ontem à Comissão de Utentes da Linha de Sintra para reivindicar medidas contra o alegado aumento da insegurança nos comboios e anunciaram que vão pedir audiências aos ministros da Administração Interna e dos Transportes para expor o problema.
Os representantes sindicais da PSP, dos ferroviários e elementos da comissão de utentes garantiram numa conferência de imprensa conjunta, realizada na estação de Sete Rios, que tem havido um aumento dos crimes praticados por gangs organizados. Disseram também que na base dos pedidos de audiência aos ministros António Costa e Mário Lino está uma alegada falta de efectivos policiais para prevenir assaltos e agressões. Manuel Cruz, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, sublinhou a incidência destas ocorrências "nos primeiros comboios que circulam aos fins-de-semana" e "durante a semana nos comboios da tarde".
Rui Ramos, da comissão de utentes, afirmou que "a CP gasta anualmente cerca de dois milhões de euros com segurança privada", o que "não vem resolver o problema de fundo da segurança de pessoas e bens na Linha de Sintra, dada a sua menor preparação e ausência de meios para intervir em situações muitas vezes extremamente complicadas".
Nestas situações de assaltos e agressões "são usadas armas brancas, bastões e outra violência física que, em múltiplos casos, resultaram em internamentos hospitalares mais ou menos prolongados dada a gravidade das lesões sofridas", lê-se num comunicado conjunto da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), do sindicato ferroviário e da comissão de utentes. Sem quantificar o número de ocorrências, Rui Ramos declarou que "a esmagadora maioria dos utentes não apresenta queixa devido aos procedimentos burocráticos e, portanto, as estatísticas não são reais".
Contactada pela Lusa, a CP negou que a insegurança tenha aumentado na Linha de Sintra, garantindo que em 2005 houve um "decréscimo de 33 por cento" no número de ocorrências, tendência que se manteve este ano".