Público - 15 Out 06

Há 305 crianças para adopção e 1933 candidatos a pais

Procura incide esmagadoramente sobre os mais novos, que são uma minoria

Trezentas e cinco crianças portuguesas das 15 mil a viver em instituições estão aptas para serem adoptadas, disse à agência Lusa a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz. O cruzamento de dados das listas nacionais de adopção, em funcionamento desde 1 de Junho, permitiu apurar este número, assim como o de candidatos aptos para iniciar um processo de adopção. Segundo a secretária de Estado, 1933 candidatos já foram avaliados pelos serviços e estão em condições de adoptar.
A criação da Base de Dados é uma das medidas do Ministério da Solidariedade Social para reduzir em 25 por cento o número de cerca de 15 mil crianças actualmente a viver em instituições. A falta de informatização dos dados tem sido apontada como a razão para os baixos níveis de adopção em Portugal, que impedem uma maior eficácia na aplicação da lei de 22 de Agosto de 2003.
De acordo com os dados apurados através deste novo instrumento, das 305 crianças, 46 têm entre os 0 e os três anos, 52 entre os quatro e os seis anos, 84 entre os sete e os nove anos, 57 entre os nove e os 10 anos e há 66 com mais de 12 anos.
De acordo com Idália Moniz, as listas permitiram ainda observar as preferências das pessoas que pretendem adoptar: dos 1933 candidatos 1856 preferem crianças entre os 0 e os 3 anos e 970 também gostariam de adoptar uma criança entre os quatro e os seis anos. A partir da idade dos seis anos o interesse dos adoptantes é diminuto.
"Se confrontarmos estes dados com os das crianças vemos que não correspondem às pretensões dos candidatos seleccionados", uma vez que o maior número de crianças aptas para adopção está na faixa etária entre os sete e os 12 anos, adiantou a governante.
O Observatório da Adopção está a analisar estas informações para desenvolver um trabalho exaustivo a apresentar até ao final do ano. "Estou expectante com o trabalho do Observatório, que reúne peritos de várias áreas e que, paralelamente, está também a fazer formação a magistrados, técnicos de segurança social, médicos e outros profissionais que intervêm nesta área", adiantou Idália Moniz. Lusa