Público - 15 Out 06

CDS-PP Palavras "aborto" e "liberalização"na pergunta

Aníbal Rodrigues

Comissão política aprova abstenção sobre realização
de novo referendo

O CDS-PP vai abster-se na votação do projecto de resolução que convoca um novo refendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas. A comissão política do partido, reunida em Coimbra, aprovou também, na madrugada de ontem, que o grupo parlamentar seja mandatado para redigir uma pergunta alternativa à colocada pelo PS - para apresentar no Parlamento -, onde se leia aborto em vez de interrupção voluntária da gravidez e liberalização em vez de despenalização ou descriminalização.
"Por uma questão de seriedade, o referendo deve ser feito de uma forma clara e a pergunta deve traduzir estes conceitos que, para nós, são essenciais", justificou o líder do partido, Ribeiro e Castro, num intervalo da reunião em que falou aos jornalistas. A proposta de incluir as palavras aborto e liberalização foi elaborada em conjunto por Ribeiro e Castro e Maria José Nogueira Pinto. Entre os 44 membros da comissão política presentes (de um total de 60), 22 votaram a favor, 12 votaram contra e 10 abstiveram-se.
Ainda conforme os números divulgados pelo secretário-geral do CDS-PP, Martim Borges de Freitas, a proposta abstencionista quando do voto sobre a convocação do referendo, defendida por Ribeiro e Castro, recolheu 32 votos favoráveis. Dez elementos da comissão política optaram por se pronunciarem pelo "não" ao referendo e dois pelo "sim" à consulta popular - o líder da Juventude Popular, João Almeida, e Maria José Nogueira Pinto.
Ribeiro e Castro explicou que, apesar do CDS-PP não ser um "promotor" do referendo, "não se opõe à sua convocação" e considera-o, aliás, "um instrumento de afirmação e defesa do direito à vida". O líder garante que o partido será unânime na condenação do aborto e que o debate da madrugada de ontem atingiu "grande qualidade e densidade". O líder do CDS-PP aproveitou ainda para destacar o facto de a comissão política ter aprovado as propostas que ele próprio defendera.
Por seu turno, Pedro Pestana Bastos, um dos vogais da comissão política eleito, no último congresso, nas listas de Ribeiro e Castro, que defendeu o "não" na votação do projecto de resolução do PS, considerou "normal nos partidos políticos a existência de divergências". Pestana Bastos pensa que "o "não" poderia ser mais consentâneo com o passado histórico do partido", mas respeita a votação da maioria e garante: "Saímos daqui unidos para votar contra a liberalização do aborto."