O primeiro-ministro está de novo com problemas pela
proximidade com processos de corrupção. Depois do
Freeport, a Face Oculta. A Justiça não esclarece
muito, pois fica sempre aérea e confusa nos
processos mediáticos. Desta vez até criou um
conceito original: «rede tentacular». Que será isso?
Sem se provar o envolvimento do PM existem fortes
acusações sobre seus próximos. Pode dizer-se que ele
tem azar com a família e escolhe mal os amigos, mas
o problema é político, não legal: serão admissíveis
suspeitas dessas tão próximo do topo da governação?
O mais curioso é imaginar um cenário inverso. Que
diria José Sócrates, líder da oposição, perante
processos semelhantes contra um primeiro-ministro do
PSD, Durão Barroso, Santana Lopes ou Ferreira Leite?
Como se comportariam os deputados do PS? Qual a
atitude de jornais e comentadores? Temos algumas
indicações lembrando o barulho nos consulados de
Cavaco Silva, Barroso e Lopes com coisas bastante
menos graves.
Isso contrasta com o mais espantoso silêncio do
Portugal recente. Em 1996 foi publicado na Dom
Quixote o livro de Rui Mateus Contos proibidos.
Memórias de um PS desconhecido, onde um alto
dirigente do partido fazia acusações muito sérias.
Apesar do compreensível sucesso editorial, livro e
autor depressa desapareceram e com eles a polémica.
Nunca mais se voltou ao tema.
Hoje é fácil ler o volume na internet, mas o assunto
evaporou-se sem explicações ou consequências. O mais
interessante, então como agora, é notar que na
democracia portuguesa alguns são mais iguais que
outros.