Portugal Diário  - 26 Nov 08

 

Alcoólicos são cada vez mais jovens
E têm patologias cada vez mais graves. Consumo de álcool está frequentemente associado ao de cannabis e outras substâncias
Luísa Melo

 

Os novos alcoólicos têm entre 20 e 30 anos, iniciaram o consumo por volta dos 15 anos e com bebidas muito graduadas (os shots, por exemplo) e quando aparecem nos serviços de saúde à procura de tratamento já têm patologias muito graves. É o resultado da alteração dos comportamentos sociais e de uma sociedade que continua a ser muito permissiva com o consumo de álcool.

 

A psiquiatra Célia Franco, do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, uma unidade que trabalha há 14 anos com este tipo de dependência, explicou ao IOL PortugalDiário que «a dependência ao álcool registou uma mudança de padrão. Há uma década os alcoólicos dependentes tinham entre 40 e 50 anos e consumiam aguardente, vinho e cerveja. Hoje estão na casa dos 20/30 anos e o consumo surge muitas vezes associado a cannabis e outras substâncias e tem como objectivo obter um estado alterado de consciência».

 

Jovens sabem pouco sobre riscos do álcool, mas não admitem

 

Quando chegam ao Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, explica Célia Franco, apresentam já várias alterações, como psicoses graves, alterações de personalidade e alterações de comportamento, nomeadamente episódios de violência concretizados em agressões contra terceiros e auto-mutilações.

 

O tratamento é longo e difícil com todo o tipo de alcoólicos, mas com os mais jovens, adianta aquela especialista ao IOL PortugalDiário, «é ainda mais difícil porque não têm uma vida estruturada e uma personalidade definida, o que provoca graves prejuízos para a sua saúde mental, e porque é mais difícil sair de um grupo onde quem não consome álcool é excluído».

 

O novo perfil de alcoólico dependente foi traçado durante o segundo dia de trabalhos do IV Congresso Nacional da Psiquiatria, a decorrer no Luso até 28 de Novembro. Durante a sua comunicação, a psiquiatra Célia Franco salientou ainda que faltam estudos que analisem o impacto desta dependência e de outras, nomeadamente as drogas e o tabagismo, cujos consumos estão associados.