Público  - 25 Nov 08

 

Maioria dos portugueses está com dificuldades para pagar as contas mensais

 

A obrigação de pagar as contas ao final do mês está a ser difícil de cumprir para 71 por cento dos portugueses. Ainda assim, as famílias consomem cada vez mais. Gastaram mais 5,5 por cento com compras entre Janeiro e Agosto de 2008, sobretudo, com alimentação.

 

De acordo com um estudo da TNS, Portugal é um dos países que registam maiores dificuldades em pagar as contas mensais na Europa, estando apenas à frente da Bulgária neste campo. Um paradoxo, face ao aumento de consumo registado nos primeiros oito meses do ano.

 

Os portugueses estão a gastar mais 5,5 por cento, ou seja, 65 euros, do que em igual período de 2007, apesar de os preços terem subido 7,1 por cento, conclui o estudo. O orçamento é cada vez mais dedicado à alimentação, cujo consumo cresceu 75 por cento, em detrimento de produtos de drogaria e de higiene.

 

Apesar deste aumento, nota-se uma tendência para procurar os melhores preços. Em média, cada lar visita quatro superfícies comerciais diferentes. Quando decidem gastar dinheiro, preferem os cestos aos carrinhos de compras.

 

No estudo sobre "Metamorfoses do Consumidor", a TNS verificou especial mudança de comportamentos de compra em dois sectores de actividade específicos: têxteis e combustíveis.

 

No que diz respeito ao primeiro, concluiu que os portugueses têm evitado ir às lojas, verificando-se menos 408 mil compradores no primeiro semestre de 2008. Apesar desta diminuição, os portugueses conseguem comprar cada vez mais artigos por menos dinheiro. É que, embora haja uma diminuição de seis euros por compra, há uma subida de 8,3 por cento em volume. A Zara é líder de mercado em valor gasto pelos consumidores, enquanto as cadeias de distribuição moderna, como o Continente e o Jumbo, ganham em termos de quantidades adquiridas.

 

Quanto aos combustíveis, registou-se menos 218 mil compradores, quando comparado o período de Janeiro a Abril com Maio a Agosto de 2008, o que provocou uma quebra de 999 mil abastecimentos e de 18 milhões de litros consumidos. As grandes petrolíferas continuam a dominar as preferências dos portugueses (65 por cento), seguidas de perto pelos hipermercados (19 por cento). Espanha retém uma fatia residual (quarto por cento).

 

A TNS concluiu ainda que 59 por cento dos portugueses acreditam que a economia nacional vai piorar no próximo ano. Tal como no resto da Europa, a grande preocupação está ligada ao aumento dos preços. R.A.C.