Jornal de Negócios  - 24 Nov 08

 

CES
Medidas anti-crise do Governo são insuficientes
Rui Peres Jorge

 

O Conselho Económico e Social (CES) considera que as medidas anti-crise do Governo são insuficientes para ajudar a economia nacional a enfrentar a actual crise e que mais terá de ser feito por parte do Estado para dinamizar a procura interna. Caso não tal não aconteça, e dada a rápida degradação das condições económicas internas e externas, Portugal enfrenta “um cenário de grave recessão interna”, diz a instituição no primeiro parecer que fez a um Orçamento do Estado e a que o Negócios teve acesso.

 

Para o CES a redução da taxa de IMI, o aumento da dedução no IRS de despesas com juros do crédito à habitação, o aumento dos gastos sociais em 8,2%, a redução da taxa de IRC para as empresas mais pequenas são medidas que “parecem ser insuficientes dada a gravidade da situação” económica.

 

Neste contexto, o CES defende o aumento dos apoios às famílias e empresas e o aumento do défice orçamental. O documento é ainda muito duro para com as previsões económicas que Governo inclui no OE, afirmando que o cenário macroeconómico é “pouco plausível”, apontando para uma recuperação económica em 2009 sobre a qual não existe “a mínima indicação que venha a acontecer” e que a previsão de manutenção da taxa de desemprego nos 7,6% defendida pelo Executivo é “um objectivo que parece praticamente inalcançavel”.