Público  - 21 Nov 08

 

Sucesso escolar e exames nacionais
Fernando Nunes Pedro, Lisboa

 

Logo que o actual Governo PS tomou o poder, Sócrates foi à Finlândia estudar o segredo do sucesso escolar. Pesquisei e li vários textos sobre o benchmarking entre Portugal e a Finlândia. Curiosamente não vi aplicada qualquer ideia que tenha vindo de lá. Porventura seguiram algumas, mas "adaptadas", mal.

 

No que concerne a "avaliação", a base é a seguinte: a) toda a responsabilidade às escolas e aos professores; b) dignificação máxima da carreira de professor e c) avaliação segundo resultados dos alunos em exames nacionais.

 

Naturalmente devem dividir os resultados entre: 16 e 20; 13 e 15; 10 e 12; 8 e 10 e menos de 8. Aos que têm melhores notas corresponde um prémio de + 20% ou +10%. Entre 10 e 12 mantém-se a retribuição e abaixo de 10 haverá um conjunto de procedimentos tais como formação, ajuda interescola, prazos para melhoria até ao convite para mudar de profissão. As escolas de áreas de risco terão um factor K de adaptação ao contexto nacional.

 

Até aos meus 16 anos de idade fiz os seguintes exames nacionais: 4ª classe, admissão ao liceu; 2º ano do liceu; 5º ano; 7º ano e admissão à faculdade. Seis exames no total, e em Angola. Imagino o que não custaria fazer exames nacionais em todo o império português. O meu neto de 16 anos ainda não fez um único exame nacional!

 

A falta de exames nacionais não será exactamente porque o ministério e os seus funcionários viriam a ter muito mais trabalho? Ou é porque custa muito dinheiro? Mas sem investimento como é que se quer ter bom ensino?