Rádio Renascença - 30 Nov 06

O apelo do Presidente da República à serenidade deve ser respeitado.

Ângela Silva

Cavaco Silva marcou o referendo ao aborto para 11 de Fevereiro.

Faltam dois meses e meio, mas como, infelizmente, o mês de Dezembro não é muito propício a campanhas de esclarecimento, falta um mês e meio para os portugueses serem chamados a dizer se a actual lei é razoável ou se deve ser mudada.

A actual lei permite o aborto até ás dez semanas, nos casos absolutamente excepcionais, como sejam os de violação ou de comprovado risco para a mãe ou para a criança.

Se a lei for mudada, o aborto passa a ser permitido sem razões excepcionais e abre-se a porta a uma verdadeira despenalização até às dez semanas – porque sim, sem mais, porque se entende que há o direito de condenar uma vida.

As sondagens são a vitória do “sim”, mas em 98 também davam. Está tudo em aberto e há dados novos. Em nove anos, tudo cresceu exponencialmente: a certeza científica do que significa a vida às dez semanas, os meios contraceptivos, a informação sobre planeamento familiar, a responsabilidade de quem tem uma vida nas mãos.

Seria bom que o ruído não se sobrepusesse à informação, que os partidos dessem lugar aos cidadãos e que o apelo de Cavaco à serenidade fosse respeitado.

A única verdadeira sondagem é a 11 de Fevereiro e, já agora, porque não aproveitar o mês do Natal para uma campanha serena, em defesa da vida?...