Público última hora - 24 Mar 09

 

Desemprego já não crescia tanto desde Dezembro de 2003
João Manuel Rocha

 

No fim do mês havia 469.299 desempregados registados. No Algarve subida foi de 40,5 por cento

 

Há mais de cinco anos que o número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) não crescia tanto como no passado mês de Fevereiro. Os 469.299 desempregados registados no final do mês representam uma subida de 17,7 por cento face a Fevereiro de 2008, um acréscimo homólogo que só é superado pela subida de 19 por cento verificada em Dezembro de 2003.

 

O número de desempregados inscritos no fim de Fevereiro era superior em 70.720 ao mesmo mês do ano passado e subira 21.333 face ao mês anterior -um acréscimo de 4,8 por cento. A maior parte dos desempregados, 67,6 por cento, estavam inscritos há menos de um ano.

 

Os efeitos da crise no mercado de trabalho estão a fazer-se sentir em todas as regiões, com o aumento do desemprego tanto em termos anuais como mensais. O Algarve, com uma subida de 40,5 por cento face a Fevereiro de 2008, é a região mais penalizada. Mas a Madeira, 22,8, o Centro, 18,6, e o Alentejo, 18, apresentam variações superiores à média nacional. Relativamente a Janeiro deste ano, a maior subida ocorreu na Madeira, com 8,6 por cento.

 

O desemprego tem subido em pessoas de todos dos graus de instrução, mas está a ser particularmente severo para os que têm o 6.º ano de escolaridade, com uma subida homóloga de 25,4 por cento, e o 9.º ano, com um aumento de 24,2 por cento. O crescimento é menor, 5,3 por cento, entre os que têm formação superior.

 

Quatro grupos profissionais somam, no seu conjunto, 44,8 por cento do total de desempregados: "trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio" (57.465), "pessoal dos serviços de protecção e segurança" (52.627), "empregados de escritório" (49.020) e "trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústrias transformadoras" (44.036)

 

Estado amortece subida
A administração pública, incluindo educação, saúde e apoio social, é uma das raras áreas que, face ao período homólogo, resistiram ao desemprego: face a Fevereiro de 2008, o número de inscritos baixou 4,8 por cento, mas relativamente a Janeiro passado verifica-se já uma subida de 0,5 pontos. Só um outro sector teve um comportamento positivo: as indústrias do couro, com uma quebra homóloga de 2,6, embora também tenha registado uma subida mensal de 2,3 face a Janeiro.

 

O agravamento da situação era "expectável", segundo o secretário de Estado do Emprego, Fernando Medina. "Estamos num ano que é reconhecidamente difícil em matéria de emprego, mas temos a expectativa de que poderemos ter alguma recuperação dentro de alguns meses", disse à Lusa.

 

O PSD, que prevê piores resultados nos próximos meses, considera que esta subida "não é surpreendente" e apelou ao Governo para que considere as suas propostas para "aumentar a liquidez das pequenas e médias empresas". O PCP, que considera a situação "extremamente preocupante", defendeu o aumento do subsídio de desemprego. O CDS também reclama a alteração das regras de atribuição do subsídio, com medidas como a majoração da prestação para famílias em que marido e mulher estejam sem trabalho. Para o BE, as estatísticas obrigam o Governo "a acordar", adoptando medidas de apoio aos desempregados.