Público Última hora - 07 Mar 08

Investigação
Mulheres portuguesas são as que sentem mais níveis de stress na relação entre trabalho e familia

As portuguesas são, entre as mulheres de sete países europeus, as que sentem mais níveis de stress gerados pelo grande número de horas que dedicam à profissão e à vida familiar, segundo duas investigadoras do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia.

Ser mulher, ter crianças com menos de seis anos ou entre os 6 e os 17 anos no agregado, trabalhar mais horas por semana, sentir-se menos satisfeito com a vida familiar e sentir-se infeliz com a vida, em geral, contribuem para aumentar o stress familiar.

Esta é uma das conclusões do livro 'Família e Género em Portugal e na Europa', uma compilação de textos de varias investigadoras que resultam dos dados produzidos pelo inquérito 'Família e Papéis do Género', do programa International Social Survey Programme.

Lançado recentemente pela Imprensa das Ciências Sociais, esta obra aborda a divisão de género no mercado de trabalho e na família - e a forma como afecta a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar - em sete países europeus: Portugal, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Suécia, República Checa e Espanha.

As sociólogas Helena Carvalho e Maria das Dores Guerreiro centraram a sua análise no stress registado na relação trabalho-família.

Segundo as duas investigadoras, o perfil das mulheres portuguesas no que respeita ao índice de stress profissional na família apresenta valores superiores às dos demais países o que poderá estar relacionado com a intensidade de horas de trabalho que caracteriza a actividade feminina.

Nas mulheres, o stress familiar aumenta significativamente com a idade, com a maior dimensão do agrupamento familiar, com o número de horas de trabalho em casa e no emprego e, tal como nos homens, com a presença de crianças pequenas e de crianças ou jovens dos 6 aos 17 anos.

Em contrapartida, o peso da escolaridade, a satisfação com a vida familiar e a felicidade em geral tem efeito regressivo no stress familiar das mulheres.

Na análise interpaíses, Portugal lidera nos níveis de stress ao apresentar os valores mais elevados nos índices trabalho e família, sendo acompanhado pela Espanha no índice de stress trabalho-família e no índice de stress familiar no trabalho e pela Grã-Bretanha no índice que mede o impacto do stress profissional na família.

Alemanha e Suécia são os países que acusam níveis mais baixos de stress.

O stress familiar é particularmente elevado entre as portuguesas mas também entre as checas e as britânicas.

Em Portugal, mais de metade das tarefas domésticas continuam a ser realizadas exclusivamente pelas mulheres, sem ajuda dos maridos ou companheiros, que desempenham sozinhos apenas 17 por cento dos trabalhos em casa.

Em contrapartida, as espanholas e a suecas - nacionalidades com diferentes tradições quanto aos modelos de papéis de género e à organização da vida privada - acusam nestes testes os índices mais baixos de stress familiar.

No que respeita ao stress ligado à actividade profissional, a análise das duas investigadoras revela que os valores mais altos são os da Alemanha, Suécia, Portugal e Grã-Bretanha.

As espanholas em primeiro lugar, juntamente com as checas e as francesas, são as que têm menos stress no trabalho.

Lusa