Público - 23 Mar 06

Lisboa desperdiça 21 por cento da água potável

Inês Boaventura

O sistema de gestão optimizada da água para rega, que permite à autarquia poupar 313 mil euros por ano, vai ser alargado em 2006

A Câmara Municipal de Lisboa divulgou ontem a matriz da água da cidade, que compila os dados disponíveis sobre os fluxos de entrada e saída deste recurso, segundo a qual se perde 21 por cento da água potável que entra em Lisboa, devido a fugas e rupturas na rede de distribuição.
De acordo com os números apresentados por ocasião do Dia Mundial da Água, e que são relativos ao ano de 2004, entraram em Lisboa 94 milhões de m3 de água potável, dos quais apenas 79 por cento foram consumidos. A maior parte da água potável distribuída na cidade tem origem em captações superficiais, essencialmente na Barragem de Castelo de Bode, mas 16 por cento provém de captações subterrâneas como a nascente Olhos de Água.
A matriz da água, que foi elaborada pela empresa municipal Lisboa E-Nova em parceria com a câmara, tem como objectivo contribuir para a definição da prioridade das acções no sentido de conduzir a uma gestão mais eficiente da água.
Segundo os números apresentados, o sector doméstico é o maior consumidor de água potável em Lisboa, representando 42 por cento, seguindo-se o comércio e indústria e a autarquia. Desagregando os consumos domésticos, verificou-se que a maior parcela corresponde à utilização de água nos duches, seguida das descargas dos autoclismos e da utilização das torneiras da casa de banho.
Quanto à Câmara de Lisboa, responsável pelo consumo de 12 por cento da água potável que entra na cidade, concluiu-se que a maior fatia se destina à rega dos jardins, que tem um peso de 55 por cento. Segue-se a lavagem de ruas, superior a 20 por cento.
A elaboração da matriz da água, que contou com a colaboração da Empresa Pública de Águas Livres, dos institutos da Água e Regulador de Águas e Resíduos e do Saneamento Integrado dos Municípios do Tejo e do Trancão, permitiu também verificar que o consumo diário de água potável per capita no concelho de Lisboa é superior ao de Portugal, ao da União Europeia e ao da Europa.
No Museu da Água foi anunciado que o sistema gotar, que visa promover uma gestão optimizada da água para rega, vai ser alargado durante este ano ao Anfiteatro Keil do Amaral, ao miradouro e à rotunda de Montes Claros, à zona vedada do Parque Florestal de Monsanto, ao espaço No Ar e Sobre Rodas e ao Bairro de Caselas. O vereador dos Espaços Verdes, António Prôa, classificou o sistema, utilizado desde 2002, como "um projecto de sucesso" acrescentando que "tem sido um instrumento precioso no combate ao desperdício no âmbito das regas".
"Com o [sistema] gotar poupamos água e energia, reduzimos a afectação de recursos humanos a esta tarefa, fazemos um aproveitamento de águas residuais e controlamos rupturas", afirmou o autarca, explicando que a medida conjuga as necessidades hídricas das plantas com a disponibilidade de água no solo, definindo-se em tempo real a duração da rega e a sua periodicidade.
De acordo com o chefe demissionário da Divisão de Matas, o gotar, que por enquanto é aplicado em sete espaços verdes de Lisboa, permite uma poupança anual de cerca de 313 mil euros. A autarquia realizou um investimento de 37 mil euros no sistema, valor que segundo João Tremoceiro atingirá os 50 mil euros até ao final de 2006.

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