Rádio Renascença - 11 Mai 09

 

Em nome da democracia
Raquel Abecasis

 

Impor, nas escolas, uma única forma de pensar sobre temas em que está em causa a liberdade de escolha é um atentado à liberdade e portanto à democracia.

 

São votados esta semana na especialidade dois projectos-lei sobre educação sexual nas escolas.

 

É um tema que tem causado polémica e de que só se fala, infelizmente, a propósito de outras discussões, como a do aborto.

 

Acontece que a educação sexual, por mais que custe ao Estado centralista e paternalista, que cada vez mais é o nosso, é um tema que não pode ser abordado deixando de lado os valores e as opções religiosas, ou não, das famílias.

 

É por isso que é um atentado ao direito de educar os filhos segundo as suas convicções impor uma disciplina de educação sexual obrigatória, com um programa definido pelo Estado.

 

Assim sendo, das duas uma:

 

- ou a disciplina tem um programa fixo e, então, é opcional, tendo os pais o direito de decidir se querem que os seus filhos a frequentem, tal como já acontece com a Moral e Religião;

 

- ou a disciplina tem um programa flexível, de acordo com as convicções religiosas e o quadro de valores que regem diferentemente as famílias portuguesas.

 

A maior conquista da democracia é a liberdade do indivíduo, rejeitando o pensamento único. Impor, nas escolas, uma única forma de pensar sobre temas em que está em causa a liberdade de escolha é um atentado à liberdade e portanto à democracia.

 

A democracia não se fez no 25 de Abril. Conquista-se todos os dias e quem não tem isto em conta corre o risco de um dia acordar de manhã e dar-se conta que o Estado já tomou todas as decisões por si.