Diário Notícias - 30 Mai 08

 

Imigrantes dão à luz 27 bebés por dia
Céu Neves
Leonardo Negrão

 

As mães estrangeiras contribuem cada vez mais para o crescimento da população portuguesa. Tiveram 9877 crianças em 2007, o que, feitas as contas, totaliza 27 nascimentos por dia e representa 9,6% dos recém-nascidos no País e mais 2197 nascimentos do que em 2006. Mas, mesmo assim, não conseguiram impedir que Portugal registasse um saldo natural negativo, que não se verificava desde 1918, ano em que a gripe pneumónica dizimou a população portuguesa.

 

Portugal está entre os dez países da União Europeia que registaram um saldo natural negativo em 2007, a maioria dos quais localizados no leste da Europa. As portuguesas têm cada vez menos filhos, numa descida acentuada desde 1960, ano em que a média por mulher em idade fértil era de 3,1 crianças. Foi este índice que estabilizou a população, apesar dos níveis elevados da emigração que se registaram até 1974.

 

Entre 2002 e 2007 verificou-se um peso crescente de recém-nascidos de nacionalidade estrangeira, quase que duplicando a sua importância no número de nados vivos no País.

 

Mas o contributo dos imigrantes não se limita ao número de filhos que têm, uma taxa de natalidade mais elevada do que entre a população portuguesa. São, também, eles que fazem com que o número de residentes tenha aumentado 18 480 face a 2006, embora se tenha registado um abrandamento do crescimento migratório no ano passado. Imigraram 19 500 estrangeiros, muitos dos quais no âmbito do reagrupamento familiar.

 

Nascem cada vez menos crianças e com mães cada vez mais tardias. Desde 1982 que não se faz a renovação da população nascida em Portugal, ano em que média da idade das mães que tiveram o primeiro filho registou o valor mais baixo, 23 anos.

 

Menos casamentos

 

A verdade é que os portugueses também adiam a idade de constituir família, pelo menos em termos formais. Registaram-se 46 329 casamentos em 2007, menos 1 529 do que no ano anterior, na sua maioria pelo civil (24 317). As idades dos noivos também tem vindo aumentar, sendo agora de 27,8 anos para o sexo feminino e de 29,5 para o sexo masculino.

 

É nos distritos de Setúbal e de Lisboa que as pessoas se casam mais tarde. E, pelo contrário, é na região autónoma dos Açores que os matrimónios se dão numa idade mais jovem. E é nesta região que o saldo de crescimento natural é mais elevado (diferença entre nascimentos e óbitos): 0,25% comparativamente ao ano anterior.

 

O Alentejo está no pólo oposto aos Açores. Esta zona viu reduzido o saldo natural de forma mais drástica que outras zonas do Continente, menos 0,52% de habitantes. Tem perdido habitantes desde 2003. Além da taxa de natalidade ser baixa, não é uma zona atractiva para a população estrangeira. Tinha 762 609 habitantes em 2007, sendo que as mulheres registavam uma ligeira supremacia em relação aos homens, 388 510.

 

A redução da natalidade e o aumento da longevidade da população portuguesa acentuam o envelhecimento populacional, o que faz com que exista uma diferença cada vez menor entre a base e o topo da pirâmide etária. E há cada vez menos pessoas a entrar na vida activa.

 

Em 2002, por cada 100 indivíduos que saiam do mercado de trabalho, e aqui consideram-se todas as pessoas entre os 55 e os 64 anos de idade, havia 141 do grupo etário potencialmente a entrar no mercado de trabalho (entre os 20 e os 29 anos), o que garantia de forma desafogada a renovação da população activa. Essa relação passou a ser de 100 para 115 no ano passado e isto apesar do contributo das populações migrantes.