Jornal de Negócios Online - 29 Mai 08

 

Em 2007
Crescimento natural da população portuguesa negativo pela primeira vez em 90 anos

 

A taxa de natalidade em Portugal voltou a cair, em 2007, pelo terceiro ano consecutivo, enquanto a taxa de mortalidade aumentou. Comportamentos que levaram a taxa de crescimento natural da população portuguesa a cair pela primeira vez desde 1918, ano em que se registou uma epidemia de gripe pneumónica.

 

A população residente em Portugal, a 31 de Dezembro de 2007, foi estimada em 10.617.575 indivíduos, divulgou hoje o Instituto Nacional de Estística (INE).

 

A evolução demográfica em 2007 caracteriza-se por um crescimento de 18.480 indivíduos na população residente em Portugal, em consequência de um crescimento natural negativo (-1.020) e de um abrandamento do crescimento migratório (19.500).

 

Paralelamente ao abrandamento do ritmo de crescimento migratório da população, 0,18% contra 0,26% em 2006, verificou-se um decréscimo da taxa de natalidade, um aumento da taxa de mortalidade e a manutenção da taxa de mortalidade infantil.

 

A taxa de natalidade caiu para 9,7%, contra 10% em 2006. De acordo com os dados do INE, em 2007 registaram-se 102.492 nados vivos de mães residentes em Portugal, valor 2,8% inferior ao verificado em 2006 (105 449).

 

Associado a esta redução do número de nascimentos, verifica-se também o declínio do índice sintético de fecundidade, indicador que traduz o número médio de nados vivos por mulher em idade fecunda. Muito abaixo dos valores de cerca de 3 crianças por mulher na década de 60 (início do período em análise), ou de 2,1 crianças por mulher – considerado o valor mínimo para assegurar a substituição de gerações e que foi observado no início da década de 80. Este indicador situou-se em 1,3 crianças por mulher em 2007, sendo o valor mais baixo registado em Portugal.

 

Já a taxa de mortalidade aumentou para 9,8 por cada mil habitantes, contra 9,6 em 2006. O número de óbitos atingiu os 103.512, no ano passado.

 

A taxa de mortalidade infantil manteve-se em valores abaixo dos 3,5 óbitos de crianças com menos de 1 ano por mil nados vivos.

 

Mulheres residentes em Portugal têm menos filhos e mais tarde

 

Paralelamente à redução da fecundidade, desde o início da década de 80 do século XX que a idade média das mulheres residentes em Portugal ao nascimento de um filho não cessa de aumentar, atingindo os 30,0 anos em 2007 (29,9 anos em 2006).

 

Tendência semelhante se verifica relativamente à idade média ao nascimento do primeiro filho, que em 2007 foi de 28,2 anos (28,1 anos em 2006).

 

Em resultado dos fluxos imigratórios verificados nos últimos anos, parte dos nascimentos ocorridos em território nacional reportam-se a mães de nacionalidade estrangeira residentes em Portugal.

 

Entre 2002 e 2007, verifica-se um peso crescente do número de nados vivos de mães de nacionalidade estrangeira residentes em Portugal. Em 2007 registaram-se cerca de 9 887 nados vivos de mães de nacionalidade estrangeira (7 690 em 2002), representando 9,6% do total de nados vivos de mães residentes em Portugal (6,7% em 2002).

 

Envelhecimento da população acentuou-se

 

A redução da natalidade e o aumento da longevidade resultam na manutenção da tendência de um duplo envelhecimento da população residente em Portugal, sendo evidente, entre 2002 e 2007, o estreitamento da base e o alargamento do topo da pirâmide etária, conclui o INE.

 

Entre 2002 e 2007 a proporção de jovens (dos 0 aos 14 anos de idade) decresceu de 15,8% para 15,3% da população residente total e o peso dos indivíduos em idade activa (dos 15 aos 64 anos de idade) também se reduziu, passando de 67,5% para 67,2%.

 

Já a importância relativa da população idosa (com 65 ou mais anos de idade) aumentou de 16,7% para 17,4%.

 

Em resultado das alterações da estrutura etária da população verifica-se que, no mesmo período, o índice de envelhecimento aumentou, passando de 105 para 114 indivíduos com 65 ou mais anos de idade por cada 100 indivíduos com menos de 15 anos de idade.