Destak - 08 Mai 08

 

Degradação
João César das Neves

 

Vivemos num tempo com grande consciência da dignidade da mulher e da necessidade da eliminação da discriminação, não é? Bem, vendo o barulho à volta do casamento do presidente francês Nicolas Sarkozy com a modelo Carla Bruni, temos dúvidas se se melhorou assim tanto desde Luís XV e Madame de Pompadour. Aliás, a coisa está a espalhar-se. Na Rússia, o encerramento do jornal que divulgou o caso entre o ainda presidente Vladimir Putin e a ginasta Alina Kabaeva, até recorda coisas piores. Será que estamos mesmo no século XXI, no tempo da igualdade entre os sexos?

 

Talvez o facto recente mais degradante para a dignidade feminina seja o novo Governo espanhol. Ver o primeiro-ministro José Luiz Zapatero a pavonear-se com as suas nove ministras é caso para se perguntar onde está o decoro. Será que essa escolha foi feita mesmo a pensar no interesse nacional, na qualidade da governação e na dignidade do Estado? Ou tudo não passa de um truque mediático, um número de circo para chamar a atenção? Isso promove ou degrada a mulher?

 

Colocar uma pacifista grávida no Ministério da Defesa foi seleccionar o melhor responsável para o cargo? Teve como objectivo o respeito pelas forças armadas, a moral nas fileiras, o cumprimento dos deveres governamentais? Ou não é mais que uma provocação, uma pirueta para a opinião pública? Não está em causa o valor pessoal dessas ministras, mas o aproveitamento publicitário.

 

Num mundo com verdadeira igualdade todo este barulho seria ridículo. E Zapatero teria vergonha.