Diário de Notícias - 22 Jun 06

Abrir as escolas a outros profissionais

Elsa Costa e Silva

 

A ministra da Educação quer abrir os quadros das escolas a outros profissionais, para além de professores, psicólogos, administrativos e auxiliares de educação. Maria de Lurdes Rodrigues considerou ontem, em Viana do Castelo, que faltam nos estabelecimentos de ensino "muitos recursos técnicos", como informáticos ou engenheiros. E também que "os quadros de profissionais nas escolas são muito pobres".

A participar em mais um encontro do debate nacional, promovido pelo Conselho Nacional de Educação, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que a constituição dos quadros de escola é "uma área de trabalho", que terá de ser encarada em breve. E como o tema do encontro era "A aprendizagem ao longo da vida e os desafios do emprego", a ministra defendeu que a abertura de vagas para outros profissionais será uma forma de permitir a progressão na carreira de pessoal não docente que aposte numa formação superior. A limitação dos actuais quadros, disse a governante, "cria barreiras à progressão porque não há mecanismos de passagem entre carreiras".

Assim, faltam carreiras técnicas superiores consolidadas que possam abrir vagas para pessoal de apoio à área de informática ou de manutenção de equipamentos, no caso de se tratarem de agrupamentos de escolas grandes. A ministra falou ainda em necessidades de apoio jurídico ou económico, para explicar o porquê de abrir as escolas a outros profissionais. À margem do encontro, Maria de Lurdes Rodrigues esclareceu ainda que a redução do número de professores com dispensa de serviços para trabalho sindical, de 450 para 300, obedece ao critério de representatividade. "Nenhum outro sector de actividade dispõe de um crédito tão elevado de dispensas de serviço", afirmou, defendendo ainda ser necessário "dispor de um número razoável, que não fosse escandaloso". Mas o maior problema será agora, considera a ministra, entre os 25 sindicatos, que têm de fazer a distribuição dos créditos.