Jornal de Negócios  - 25 Jul 08

 

Mobilidade no trabalho
Doutores no desemprego viram-se para a Europa
António Larguesa

 

São jovens, têm qualificação superior, disponibilidade familiar, sabem falar várias línguas e estão no desemprego ou têm um vínculo precário. Este é o retrato de milhares de trabalhadores portugueses que todos os anos saem de Portugal rumo ao estrangeiro ao abrigo do programa europeu de mobilidade "Eures".

 

No último ano, 42% dos 8.512 candidatos que se inscreveram para colocação na Europa possuíam, pelo menos, o bacharelato e 64% tinham no passaporte uma idade igual ou inferior a 35 anos. "Gostaríamos que a rede Eures fosse vista pelos nossos candidatos como uma opção para o seu problema de desemprego e que aqueles que se sintam com condições, motivados para um projecto de mobilidade, tenham boa formação académica, conhecimentos de línguas e relativa independência contem com esta oportunidade", elucida António Charana, gestor nacional do programa.

 

Quinze anos após ter sido criada, a rede "Eures" conta diariamente 1,5 milhões de ofertas de emprego em 31 países do "Velho Continente" e garante uma maior segurança aos 37% de cidadãos comunitários que no Eurobarómetro de 2006 sobre mobilidade se mostraram dispostos a mudar de país para arranjar emprego, caso estivessem desempregados.

 

Actualmente, cerca de 1,5% da população activa da União Europeia a 25 países já reside e trabalha num Estado membro estrangeiro, segundo o Eurostat, o gabinete estatístico da UE. Esta é uma tendência que o gestor do programa em Portugal encara com naturalidade "à medida que estamos mais integrados na Europa, ela é um espaço de livre circulação" e cada vez mais portugueses se mostram motivados para conhecer outro país e outra cultura, onde "a remuneração oferecida para as mesmas qualificações é muito mais vantajosa".