Jornal de Negócios online - 18 Jul 08

 

Indicadores no nível mais baixo desde 2003
Economia portuguesa vive pior momento desde a última recessão (act)
Nuno Carregueiro

 

(actualiza com dados históricos dos indicadores)

 

A economia portuguesa continua a dar sinais de forte abrandamento. O relatório hoje divulgado pelo Banco de Portugal revela que o consumo privado estagnou em Junho e que a actividade económica cresceu apenas 0,1%, os piores resultados desde 2003, ano em que a economia portuguesa esteve em recessão.

 

O indicador coincidente do consumo privado, publicado hoje pelo Banco de Portugal nos Indicadores de Conjuntura, registou em Junho uma taxa de variação homóloga nula, que compara com o crescimento de 0,4% registado em Maio.

 

Desde Agosto do ano passado, mês em que registou um crescimento de 1,9%, que este indicador tem vindo sempre a cair todos os meses. No segundo trimestre o indicador cresceu 0,4%, abaixo dos 1,2% dos três meses anteriores.

 

O registo de Junho foi o pior desde Agosto de 2003, ano em que a economia portuguesa esteve em recessão.

 

Estes dados mostram que as famílias portuguesas estão a ser penalizadas pela actual crise de subida dos preços dos combustíveis, dos alimentos e dos juros.

 

Entre os dados do consumo privado citados no Relatório do Banco de Portugal, a autoridade destaca que em Maio, o índice de volume de negócios no comércio a retalho, divulgado pelo INE, aumentou em termos reais 0,4%, enquanto no segundo trimestre de 2008, as vendas de veículos ligeiros de passageiros, incluindo veículos todo-o-terreno, registaram um aumento de 1,9%, em termos homólogos, o que compara com um crescimento de 11,7 por cento no primeiro trimestre de 2008.

 

Esta quebra no consumo privado, que está a intensificar-se, está a ter um forte impacto na evolução da economia nacional.

 

O indicador coincidente mensal para medir a actividade económica em Portugal registou um crescimento homólogo de 0,1% em Junho, uma taxa de crescimento bem inferior à de 0,5% verificada em Maio. Para encontrar um registo pior, terá que se recuar a Outubro de 2003, quando o Indicador Coincidente caiu 0,2%.

 

Desde Outubro do ano passado, mês em que o indicador cresceu 2,4%, que a actividade económica em Portugal está sempre a abrandar. No segundo trimestre o indicador calculado pelo Banco de Portugal aumentou 0,5%, abaixo dos 1,6% registados nos três meses anteriores.

 

A actual crise internacional está a ter um forte impacto na economia portuguesa, levando vários organismos a reverem em baixa as suas perspectivas para a evolução do PIB português. Ontem o FMI cortou a previsão para um crescimento de 1,25% este ano e 1% em 2009.