Público  - 01 Jul 08

 

"Sérias dúvidas sobre sustentabilidade"

 

O alargamento da rede de cuidados continuados é visto pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde como uma medida que, no ano passado, teve "importantes progressos". Mas o modelo de financiamento adoptado "levanta sérias dúvidas sobre a sua sustentabilidade a médio prazo".

 

A rede de cuidados continuados destina-se a libertar camas de hospital e dar apoio a pessoas com algum tipo de dependência em unidades próprias. As unidades criadas para dar apoio a este tipo de utentes têm uma taxa de ocupação próxima dos 100 por cento. Só de Janeiro a Abril deste ano os centros de saúde e as equipas de gestão de altas dos hospitais referenciaram mais 5026 novos utentes. Estes valores indiciam a necessidade de aumentar o número de lugares, realça o Relatório de Primavera 2008.

 

O documento nota contudo que no apoio a estas pessoas nem sempre foi encontrada "uma adequada articulação com os serviços sociais", indispensável quando se trata de dar resposta a situações que têm, ao mesmo tempo, necessidades de saúde e de apoio social.

 

O relatório alerta ainda que na rede de cuidados continuados estão por criar as Equipas de Cuidados Continuados Integrados e as Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, que darão prioridade ao apoio no domicílio da pessoa com dependência.

 

Os resultados referidos pelo documento sugerem que, ao serem prestados cuidados fora do contexto hospitalar, em unidades mais pequenas e mais próximas do local de residência ou de familiares, é possível não só libertar camas nos hospitais para doentes com problemas mais urgentes como contribuir para a melhoria dos cuidados de saúde e apoio social.

 

Numa avaliação sobre o grau de satisfação dos utentes, mais de 90 por cento dos inquiridos afirmaram que os cuidados prestados nas unidades eram "bons" ou "muito bons". C.G.