Jornal de Negócios  - 09 Jul 07

 

População portuguesa com mais de 80 anos duplicou nos últimos vinte anos

Nos últimos vinte anos assistiu-se, em Portugal, à duplicação do número de pessoas com 80 anos ou mais. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 1986 e 2006, a população portuguesa registou uma redução da proporção de jovens e um aumento da percentagem da população idosa.

"O decréscimo da natalidade e o aumento da longevidade reflectiram-se na alteração da estrutura etária da população. Em consequência do declínio da natalidade observou-se uma cada vez menor proporção de jovens (de 22% para 15%, entre 1987 e 2006) e, simultaneamente, devido ao crescimento da longevidade registou-se o aumento da percentagem da população idosa, com 65 e mais anos de idade, de 13% para 17%", revelam os dados divulgados hoje pelo INE.


A população portuguesa em idade activa aumentou, no mesmo período, de 65% para 67%. Este aumento concentrou-se na população entre os 40 e os 64 anos, onde a proporção se elevou de 28% para 32%. Já a população entre os 15 e os 39 anos a percentagem caiu de 37% para 35%.

Nos últimos vinte anos, a população portuguesa cresceu em 573 mil indivíduos, de acordo com os dados do INE. Esta evolução é, em grande parte, explicada pelo aumento dos movimentos migratórios.

Segundo o INE, o aumento da população portuguesa entre 1986 e 2006 "foi fortemente influenciada pela componente migratória". "Entre 1987 e 1991, registou-se um decréscimo populacional e taxas de crescimento migratório negativas. Esta tendência inverteu-se em 1992, passando a observar-se um continuado aumento da população residente", refere o INE.

"Desde 1993 e até 2002, verificou-se um crescente aumento das taxas de crescimento efectivo, para o qual contribuiu de forma determinante a evolução das taxas de crescimento migratório", acrescenta o instituto.

De acordo com os dados do INE, os últimos vinte anos caracterizaram-se ainda pela queda da taxa de natalidade. As mulheres residentes em Portugal têm cada vez menos filhos e mais tarde. Se em 1987, era nos grupos etários dos 20 aos 24 anos e dos 25 aos 29 anos que se verificavam os valores mais elevados das taxas de fecundidade, após essa data "assiste-se a uma redução da importância do grupo etário dos 20 aos 24 anos a par com um aumento no grupo etário dos 30 aos 34 anos, sendo neste grupo que em 2005 e 2006 se verificam as taxas de fecundidade mais elevadas"

De 1987 a 2006, as mulheres residentes em Portugal, retardaram o nascimento de um filho em cerca de 3 anos, ou seja, em 1987 as mulheres tinham um filho numa idade média de 26,8 anos e em 2006 esta idade aumentou para os 29,9 anos.

Entre 1987 e 1988, a esperança média de vida da população portuguesa era de 73,8 anos (70,3 anos no caso dos homens e 77,3 no caso das mulheres). Este valor subiu para os 78,5 anos em 2005/2006 (75,2 anos para os homens e 81,8 anos para as mulheres).