Portugal Diário - 24 Jul 06

Exames a partir dos nove anos

Ministra quer provas de aferição a Português e Matemática no 1º e 2º ciclos e já no próximo ano lectivo. Objectivo: prevenir insucesso. Defende a escolaridade obrigatória até aos 18 e garante que se sente apoiada no partido e no Governo

A ministra da Educação quer provas nacionais de aferição a Português e Matemática no final dos 1º e 2º ciclos. E já no próximo ano lectivo. O objectivo, explicou Maria de Lurdes Rodrigues em entrevista ao Jornal de Notícias, «é aferir e controlar a qualidade das aprendizagens no final do 1.º, 2.º» para combater o insucesso. Tal como já acontece no final do 3º ciclo.

A ministra esclarece: «Não teremos exactamente exames, mas sim elementos de avaliação externa à escola. Teremos provas nacionais de aferição universalizadas nos 1.º e 2.º ciclos, a Português e a Matemática, já no próximo ano lectivo. Em relação ao 9.º ano, estamos ainda à espera dos resultados dos exames nacionais de Português e de Matemática do 9.º ano, por forma a continuarmos a acompanhar a evolução das aprendizagens».

E para que não existam dúvidas sobre exames e provas de aferição, Maria de Lurde Rodrigues esclarece ao JN que «a grande diferença é que os exames servem para seriar os alunos, para os reprovar ou passar. A prova de aferição também avalia, mas sem consequências».

Quanto à escolaridade obrigatória, a ministra da educação não defende propriamente que aumente do 9º para o 12º ano, mas sim uma permanência na escola até aos 18 anos. Hoje, explicou, «o grande desafio está, de facto, na generalização do 12.º ano como qualificação mínima, mas não necessariamente tornando-a obrigatória.

Questionada sobre à hipótese de abolir os exames do ensino secundário, que tanta polémica têm causado, Maria de Lurdes Rodrigues é muito clara: «É importante que os exames nacionais não sejam postos em causa» [. . .] As escolas devem entender os resultados dos exames como um desafio para melhorar e não ficar indiferentes».

E porque a contestação é grande e de vários sectores, até dentro do partido, o JN quis saber se a ministra se sente isolada. A resposta foi inequívoca: «Não. Recebo muitas cartas de apoio. Tenho o apoio de todo o Partido Socialista e, sem dúvida, do próprio primeiro-ministro.» E acrescentou: « Sinto que estou a cumprir o programa do Governo. Tanto pela minha consciência como pelo conhecimento técnico que possuo das matérias, sinto que estou a fazer o melhor pelo país.»