Público - 20 Jan 09

 

Brasileiras passaram a ser quem tem mais filhos na comunidade imigrante
Andreia Sanches

 

Análise sobre a situação demográfica do país revela que em 2007 houve 54 divórcios decretados para cada cem casamentos celebrados

 

Os portugueses têm cada vez menos filhos e o peso dos bebés com mães imigrantes é cada vez maior. A tendência não é nova, tem sido observada ao longo dos anos, mas um estudo recente de Instituto Nacional de Estatística revela algo inédito: se, até 2006, as mulheres de nacionalidade africana eram as que mais contribuíam para a natalidade no país, em 2007 "as mães de nacionalidade brasileira" passaram a ser as mais representativas.

 

Segundo um artigo publicado na última edição da Revista de Estudos Demográficos, 3,3 por cento dos bebés (3355) que nasceram com vida em 2007 são filhos de mãe brasileira. Já as "mães nacionais dos países africanos de língua portuguesa" foram responsáveis por apenas 2534 nascimentos, 2,47 por cento do total. Feitas as contas, as mulheres estrangeiras deram à luz 9887 crianças (mais 3988 do que seis anos antes), o que representa 9,7 por cento das 102.492 crianças nascidas em Portugal.

 

A Situação Demográfica Recente em Portugal, elaborada por Maria José Carrilho, revela ainda um país onde o filho único é a opção predominante, a maternidade depois dos 30 é mais frequente e os casamentos duram menos. Aliás, não só "o rácio entre divórcios e casamentos não cessa de aumentar", como nunca como em 2007 o desequilíbrio foi tão acentuado. Para cada cem casamentos celebrados decretaram-se 54 divórcios. Em 2001, o rácio era de 100 para 32.

 

Face a estes indicadores, o envelhecimento demográfico surge como "um fenómeno irreversível", mesmo se os saldos migratórios continuarem positivos - a única causa do crescimento da população em 2007 teve a ver precisamente com as entradas no país, seja pela via do regresso de emigrantes, seja pela imigração. De acordo com Maria José Carrilho, havia 446.333 estrangeiros a residir legalmente no país. Um terço era de origem africana de língua portuguesa. Os nacionais do Brasil representavam 12,7 por cento do total.