Público - 24 Jan 07

 

Formas de ver a reforma

Qual a idade ideal para a reforma?
Os portugueses que ainda trabalham defendem que a idade ideal para a reforma são os 58 anos. Entre os europeus inquiridos para o estudo só os alemães ultrapassam essa idade e referem como idade ideal os 59 anos. Mas os portugueses empregados estão convencidos de que só poderão reformar-se aos 64 anos (expectativa mais longínqua entre os inquiridos: mais um ano do que os espanhóis e alemães).

Por que é que as pessoas se reformam mais cedo?
Os 54 por cento de inquiridos portugueses que declararam ter-se aposentado antes dos 65 anos fizeram-no voluntariamente na maioria dos casos (70 por cento). Aos outros 30 por cento a reforma foi "imposta pelo patrão". O carácter voluntário tem a expressão mais elevada nos Estados Unidos (85 por cento) e mais baixo na China (59). Na Europa, a maior percentagem é atingida na Itália (82 por cento).

As pessoas planeiam vir a ter uma actividade remunerada depois de reformadas?
A resposta é sim no caso de 46 por cento dos activos portugueses. Mas na realidade verifica-se que só nove por cento dos que já se reformaram trabalham.A Itália tem a menor percentagem de europeus que tencionam continuar a trabalhar (26 por cento), mas, no entanto, o peso dos reformados que efectivamente se mantêm um vínculo laboral é mais elevada do que em Portugal (11 por cento). O Japão lidera, quer nas intenções, quer na realidade: 67 por cento dos activos tencionam trabalhar quando se aposentarem, 50 por cento dos reformados dizem que já o fazem.

O que pensam os portugueses sobre
o aumento da idade da reforma?
Sessenta e três por cento dos activos discordam do aumento da idade de reforma, opinião também partilhada por 51 por cento dos reformados. O limite para a idade de aposentação deve ser os 60 anos, segundo os activos, e os 62 anos, na opinião dos actuais reformados. A desaprovação do aumento da idade da reforma atinge o valor mais alto na Alemanha, onde 73 por cento dos activos e 65 por cento dos reformados estão contra.

Há optimismo ou pessimismo dos activos quanto ao valor das reformas?
Setenta e dois por cento dos activos portugueses consideram que vão ter uma reforma menor do que o último salário, 18 por cento ainda têm esperança de ela ser igual e nove por cento acalentam a esperança de vir a ter uma pensão mais elevado do que o salário. O pessimismo é maior na França (81 por cento esperam pensão menor), Alemanha (85 por cento) e Japão (90 por cento).

Mas as pessoas sabem quanto vão receber?
Os portugueses são os que vivem no maior desconhecimento: só 15 por cento sabem quanto receberão, uma percentagem inferior à dos 18 por cento de espanhóis, 20 por cento de franceses e 26 por cento de italianos, e bastante longe dos 54 por cento de activos de alemães que sabem aquilo com que poderão contar.

Os países da União Europeia deviam ter um mesmo sistema de pensões?
Os inquiridos portugueses são, entre os europeus abrangidos pelo inquérito, os que mais aplaudem essa ideia. Para 86 por cento dos activos e 94 por cento dos reformados devia ser essa a situação. Espanhóis, italianos e franceses manifestam também opiniões maioritárias a um tal cenário. A ideia colhe menos apoio entre os holandeses: só é acolhida favoravelmente por 34 por cento dos activos e 40 por cento dos reformados.

O montante da reforma poderá cobrir as despesas domésticas previstas para depois da vida activa?
Os inquiridos na maioria dos países referem que as despesas são mais elevadas do que a pensão prevista, embora em países como os Estados Unidos, Alemanha ou Reino Unido as respostas vão no sentido contrário. A menor diferença entre um dado e outro é observada em Portugal: a pensão média referida é de 579 euros, o que está 42 euros abaixo dos 621 euros calculados para as despesas.

A redução do valor da reforma é considerada uma possibilidade?
Sim. Para 57 por cento dos activos e 45 por cento dos reformados portugueses esse é um dos possíveis efeitos de futuras mudanças no sistema. Entre os europeus só os espanhóis e italianos se declaram menos preocupados, mas em países como Japão, Alemanha e Austrália os inquiridos têm uma convicção bastante alargada (valores de 80 e 90 por cento) de que isso poderá acontecer.