Público - 24 Jan 07

 

Esmagadora maioria conta com o Estado
Pouco mais de um terço dos trabalhadores activos está a preparar a reforma
João Manuel Rocha

Estudo da Axa indica
que portugueses são
dos europeus que menos planeiam e poupam
para a velhice

Só 37 por cento dos portugueses activos já começaram a preparar a sua reforma e foi aos 34 anos que o fizeram. Os que já tomaram essa decisão põem de lado, em média, 108 euros por mês e os que ainda não deram esse passo contam fazê-lo aos 43 anos, indica um estudo da seguradora Axa divulgado ontem.
Os portugueses são, a par dos italianos, os europeus que menos planeiam o futuro e os que mais defendem que os países da União Europeia deviam ter um mesmo sistema de pensões. É essa a opinião de 86 por cento dos activos e 94 por cento dos reformados.
Os dados constam do barómetro sobre atitudes face à reforma. Em Portugal, o trabalho foi feito pela empresa GfK Metris, que entrevistou 608 pessoas por telefone. No conjunto dos 16 países ou territórios abrangidos pelo estudo foram efectuadas 11590 entrevistas.
A menor preocupação com a reforma pode ter a ver com facto de uma larga maioria dos portugueses inquiridos (87 por cento dos activos, 95 por cento dos reformados) considerar que cabe ao Estado providenciar a pensão, ainda que 34 por cento dos activos e 30 por cento dos reformados considerem que a Segurança Social "está em crise". Pior: só 35 por cento dos activos acreditam que o sistema público subsistirá até aos seus 75 anos.
A confiança depositada pelos portugueses no Estado só é superada pela dos espanhóis (95 por cento e 93 por cento, respectivamente). Mesmo em países como o Reino Unido (84 por cento quer entre activos, quer entre reformados), essa dependência tem larga expressão.
Ainda assim, para a Axa, a importância dada pelos portugueses ao "papel do indivíduo" na preparação da reforma "começa a ter peso": 58 por cento dos activos e 50 por cento dos reformados pensam que o problema também é seu. A percentagem é superior ao que acontece, por exemplo, entre espanhóis e italianos. O empregador também é referido por 48 por cento dos activos e 57 por cento reformados portugueses como devendo contribuir.
Quando aos 34 anos começam a preparar a pensão, os portugueses já estão atrasados face aos outros europeus. Só os espanhóis têm uma despreocupação semelhante: só pensam na velhice aos 33 anos.
Os 108 euros que os portugueses que já o fazem poupam mensalmente são um recuo face aos 140 euros que os inquiridos declaravam aplicar para a reforma no estudo divulgado no ano passado.