RTP online - 22 Jan 07

 

População vai envelhecer mais e natalidade dimunuir até 2050

 

A população portuguesa vai continuar a envelhecer, sendo esperado que até 2050 a natalidade baixe acentuadamente e que menos 60 por cento de jovens ingressem no mercado de trabalho, segundo um programa inédito de cálculo demográfico.

A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas vai apresentar no próxim o sábado o Programa Cálculo de Projecções de População Residente (CPPR), elabora do em colaboração com dois docentes da Universidade Nova de Lisboa (UNL), cujos resultados estão em linha com o calculado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e Eurostat, afirmam os promotores da iniciativa.

No mais provável dos cenários (Cenário Base), espera-se uma "forte eros ão da base da pirâmide etária portuguesa", com um decréscimo acentuado da taxa d e natalidade, menos 40 por cento de crianças em idade de entrar no ensino obriga tório, menos 30 por cento de jovens com 18 anos e uma redução de 60 por cento no número de jovens com 21 anos, idade para entrar no mercado de trabalho.

Assim, traduzindo para números concretos, a população atinge a idade mé dia de 49 anos em 2050, contando com 75 mil crianças de seis anos (actualmente s ão 115 mil), 85 mil jovens de 18 anos (hoje em dia são 120 mil) e 95 mil com 21 anos (contra os actuais 160 mil).

A APFN utilizou ainda para o estudo mais três cenários, menos prováveis do que este: Cenário Natural, Cenário Ideal e Cenário Baixo.

Tanto o Cenário Base como o Baixo apontam para um aumento da população mais velha: o número de idosos por cada 100 jovens passa dos actuais 115 para 27 5.

Deste modo, a pirâmide etária obtida no Cenário Baixo também deixa de t er a figura geométrica, uma vez que se verifica igualmente uma forte erosão da b ase.

A população atingirá a idade média de 51 anos e as crianças com idade d e ingressar no primeiro ciclo do ensino básico não serão mais do que 58 mil, a p ar de uma descida para 70 mil do número de jovens com 18 anos e para 85 mil (cer ca de metade do actual) de jovens a entrar no mercado de trabalho.

Mais optimistas, os cenários Natural e Ideal apontam para 41 e 42 anos de idade média, com tendência de redução no final do período analisado.

No cenário Natural, calcula-se em 150 mil as crianças que em 2050 terão seis anos e em 135 mil as que vão ter 18 anos, números que sobem até quase 180 mil e 150 mil, respectivamente, no cenário Ideal.

Nestes cenários, em ambos os casos, os números sobem face aos actuais.

Com idade para ingressar no mercado de trabalho, calcula-se para as hip óteses Natural e Ideal que sejam 140 e 150 mil, respectivamente, valores que em todo o caso continuam abaixo dos actuais 160 mil.

A taxa de natalidade é sempre decrescente nos Cenários Base (de 1,1 por cento para 0,7 por cento) e Baixo (de 1,1 por cento para 0,5 por cento), e sobe ligeiramente, embora com uma forte ondulação, nos cenários Natural (para 1,2 po r cento) e Ideal (para 1,4 por cento).

Para este estudo, a APFN utilizou os valores de emigração observados em 2005, com a evolução prevista pelo INE para 2050 e o Índice Sintético de Natali dade (ISN).

As variações verificadas nos diferentes cenários foram dadas pelo ISN, que foi mantido constante (1,40) para os cálculos do cenário Base e aumentado at é 2,1 (número médio de filhos desejados de acordo com o último "Inquérito à Famí lia e Fecundidade" efectuado pelo INE) para o cenário Natural.

Para os cálculos do Cenário Ideal, subiu-se para 2,5 o ISN, sendo que a APFN salvaguarda que "esta hipótese é puramente académica para se mostrar os ef eitos de uma taxa de natalidade superior a 2,1, nomeadamente na travagem do enve lhecimento da população".

Finalmente, no Cenário Baixo o ISN reduz 0,3 em 50 anos, dos actuais 1, 4 para 1,1.

Para desenvolver este estudo foi utilizado um novo software que permite a qualquer pessoa realizar cálculos de projecção até 100 anos da população port uguesa, bastando para tal inserir as variáveis do Índice Sintético de Natalidade e do movimento migratório previstas.

Este novo programa de Cálculo de Projecções de População Residente poss ui como base de funcionamento a pirâmide etária de 2004, o modelo de mortalidade em Portugal desenvolvido pelos dois docentes da UNL, um aumento previsto da esp erança média de vida de um ano a cada cinco anos e a taxa média de natalidade po r mulher em idade fértil observada nos últimos anos.

Todos estes dados e o programa informático que permitiu realizar o estu do vão ser publicamente apresentados no dia 27 de Janeiro, em Lisboa, durante o seminário "Inverno Demográfico. Que respostas?".