Correio da Manhã - 12 Jan 07

 

Sondagem CM - abstenção aumenta de 43,2% para 43,9%

Não mais perto do sim

António Sérgio Azenha

A um mês da realização do referendo sobre o aborto, a campanha de esclarecimento do movimento pelo ‘não’ à interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas, no terreno já há um mês, parece estar a dar frutos.

Uma sondagem CM/Aximage, realizada entre os dias 7 e 9 de Janeiro, revela que as intenções de voto no ‘não’ aumentaram nas últimas semanas oito pontos percentuais, enquanto o ‘sim’, que já revelara uma quebra em meados de Dezembro, regista uma diminuição de quatro pontos percentuais. E, não menos importante, a abstenção estabiliza em alta e os indecisos decrescem em favor do ‘não’.

Os resultados do estudo de opinião indicam, para já, que a alteração mais notória nas intenções de voto é a subida do ‘não’ de 27,3 por cento, 7 de Dezembro, e 34,9 por cento, em 9 de Janeiro. Em contrapartida, no mesmo período, o ‘sim’ revela uma tendência de descida de 64,1 por cento para 57 por cento. Ou seja, em praticamente um mês, o ‘sim’ decresce 7,1 pontos percentuais, mas o ‘não’ sobe 7,6 pontos percentuais.

Com estes resultados, verifica-se que, para já, “a campanha do ‘não’ teve impacto junto de alguns segmentos sociais, estabilizou uma parte [do eleitorado] do ‘sim’ e conseguiu captá-lo mais tarde”, explica Jorge de Sá, responsável técnico da sondagem CM/Aximage. Por isso, segundo este especialista, a grande questão que se coloca agora, que a campanha de esclarecimento pelo ‘sim’ já está no terreno, é esta: “Será que o ‘sim’ vai conseguir estancar a descida e roubar votos ao ‘não’?” Ou “será que o ‘não’, com o ‘elan’ que tem, vai aproximar-se ainda mais do ‘sim’?”

Com a abstenção a manter-se próximo de 44 por cento, o risco de o ‘sim’ vencer com um resultado inferior a 50 por cento, não sendo assim vinculativo, está também presente, até porque o universo de eleitores recenseados votantes continua a descer. E, apesar de os indecisos decrescerem, é o ‘não’ que parece estar a beneficiar mais com esta redução do que o ‘sim’. Daí que o voto jovem, sendo maioritariamente pelo ‘sim’, seja considerado fundamental para o resultado final. E neste segmento etário verifica-se uma diminuição na tendência de voto no ‘sim’.

REACÇÕES DE CONFIANÇA

A descida das intenções de voto no ‘sim’ ao aborto até às dez semanas não causou grandes preocupações aos defensores desta posição. Maria de Belém, deputada e um dos rostos mais conhecidos do movimento pelo ‘sim’, considera que os resultados “não são uma preocupação”, mas devem ser lidos e analisados e, em função disso, orientar a campanha de esclarecimento”. E frisa que “o mais importante é que haja participação das pessoas”. Já Margarida Neto, da Plataforma ‘Não Obrigada’, diz que este resultado “é um encorajamento”. E espera que “isto seja o início de uma subida que se vai manter”.

DETALHES

JOVENS

A tendência de voto dos jovens com idade entre os 18-29 anos no ‘sim’ mantém-se elevada: está em 70,6 por cento, contra 76,9 por cento na sondagem realizada em PARTIDOS E CIDADES

Como era esperado, a tendência de voto no ‘não’ é mais elevada entre os simpatizantes dos partidos da DIREITA: PSD

e CDS-PP. Mas, no caso do CDS-PP, os adeptos do ‘sim’ são superiores aos do ‘não: 48,2%, contra 47,5%. Os eleitores residentes nas vilas e cidades são também mais adeptos do ‘sim’.

SONDAGEM CM

EVOLUÇÃO DO REFERENDO DA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

A última intenção de voto contava com uma abstenção de 43,9%

7 DE DEZEMBRO

SIM: 64,1%

NÃO: 27,3%

INDECISOS: 8,6%

20 DE DEZEMBRO

SIM: 61%

NÃO: 23,7%

INDECISOS: 12,3%

9 DE JANEIRO

SIM: 57%

NÃO: 34, 8%

INDECISOS: 8,1%

FICHA TÉCNICA:

OBJECTIVO: Referendo da interrupção voluntária da gravidez.

UNIVERSO Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo.

AMOSTRA Aleatória estratificada por região, habitat, sexo, idade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 550 entrevistas telefónicas (294 a mulheres).

COMPOSIÇÃO Proporcional pela variável estratificação.

RESPOSTAS Taxa de resposta de 80,5 por cento. Desvio padrão máximo de 0,021.

REALIZAÇÃO 7 a 9 de Janeiro, para o Correio da Manhã, pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge de Sá e João Queiroz.