Público - 04 Jan 07

 

Independentes pelo Não querem ser "voz moderada"

 

O grupo de cidadãos Independentes pelo Não à despenalização do aborto, que será apresentado ao público na terça-feira e que conta, entre os seus subscritores, com as jornalistas Laurinda Alves e Maria João Avillez, o pedopsiquiatra Pedro Strecht e o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, nasce da "necessidade de discutir a questão tranquilamente, sem excessos nem fundamentalismos", adiantou ao PÚBLICO Laurinda Alves.
Embora não pretenda integrar a Plataforma Não Obrigada, o grupo prevê a articulação com os restantes movimentos contra a despenalização do aborto, referiu a jornalista.
Orientados pela procura de "soluções humanas e humanizantes, desmarcadas do discurso daqueles que tudo querem permitir ou proibir" - como se lê no ideário -, os Independentes pelo Não pretendem, porém, marcar a diferença no "tom e estilo", apresentando-se como uma "voz moderada e sensível", descreveu Laurinda Alves, vincando a independência do grupo. "Eu sou católica praticante, mas não me identifico com o discurso da Igreja [sobre o assunto]", exemplificou. A ideia é que o grupo seja "uma voz complementar", acrescentou.
O advogado Gonçalo Vassalo Moita, também entre os fundadores do grupo, explicou as linhas de orientação: "promover o debate e o esclarecimento" e "ser uma força aglutinadora do "não"". "Trata-se de um grupo de pessoas independentes que se juntaram exclusivamente para a campanha. A seguir, cada um vai à sua vida", realçou Laurinda Alves, recordando que só deu "a cara por uma causa uma vez na vida": na altura do primeiro referendo sobre o aborto, em 1998.
O anúncio das acções de campanha está reservado para a cerimónia de terça-feira, marcada para as 11h00, no Palácio Pombal, em Lisboa, mas o ideário adianta já que o grupo de cidadãos, ao qual já aderiram também os empresários Luís Montez e José Roquette, considera que "a lei actual é suficiente e equilibrada" e que "os recursos do Estado não devem ser usados para subvencionar clínicas para a prática de abortos". E defende, por oposição, uma maior "responsabilização do Estado na construção de uma sociedade solidária, apostada na promoção da vida, no apoio às famílias, na defesa dos direitos das mulheres e na salvaguarda da saúde pública" e uma aposta "na informação, na educação e na melhoria do acesso dos cidadãos aos métodos de contracepção e planeamento familiar". S.B.