Público - 23 Jan 06

Imigração foi o motor do aumento demográfico da União Europeia em 2005
Ricardo Garcia

Em média, em cada semana nasceram 92 mil europeus, morreram 86 mil e entraram 32 mil estrangeiros

A imigração diminuiu na Europa, em 2005, mas ainda assim foi responsável por 84 por cento do aumento da população. Um balanço demográfico divulgado pelo Eurostat - a agência de estatísticas da União Europeia (UE) - indica que os 25 Estados-membros, somados, aumentaram a sua população em cerca de dois milhões de pessoas no ano passado. A maior parte (mais de um milhão e meio) são novos imigrantes - cerca de 1.690.000.
Neste número estão incluídos os imigrantes que chegaram à UE em 2005 e também os que, estando já cá, regularizaram a sua situação. Houve um decréscimo em relação a 2004, quando se registaram 1.852.000 novos imigrantes - um pico absoluto desde 1960.
Não fosse a imigração, a população europeia teria aumentado apenas 327.000 pessoas - uma taxa de crescimento de apenas 0,07 por cento. O número de nascimentos cresceu ligeiramente em 2005, mas o número de mortes subiu ainda mais. Na prática, o crescimento natural da população foi mais lento.
Em média, em cada semana de 2005 nasceram 92 mil europeus, morreram 86 mil e entraram 32 mil imigrantes. A Espanha responde por 38 por cento de toda a imigração europeia, com 652 mil novos estrangeiros registados como residentes no ano passado.
A seguir está a Itália (338 mil novos imigrantes). Sem a imigração, a população italiana teria decrescido: houve 28 mil mortes a mais do que nascimentos.
Os dados do Eurostat confirmam a tendência europeia para uma redução progressiva da natalidade. Nas últimas quatro décadas, o número de filhos por mulher tem caído ano a ano. Na década de 1960 - quando a população mundial registou as mais altas taxas de crescimento de sempre - nasciam por ano mais de sete milhões de crianças na Europa. O número foi diminuindo e atingiu o ponto mais baixo em 2002 - ano com a menor taxa de natalidade desde o fim da II Guerra Mundial. Hoje, há menos de cinco milhões de nascimentos por ano.
Com poucas crianças e cada vez mais idosos, a Europa enfrentará sérias dificuldades no campo da segurança social. Há cerca de duas semanas, o ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, disse que, com a actual tendência de envelhecimento da população, dentro de apenas dez anos o Estado português não terá dinheiro para pagar reformas.

Portugal com mais 41 mil novos estrangeiros
De acordo com um estudo realizado pela ONU em 2000, os 15 Estados-membros mais antigos da UE precisariam de receber 674 milhões de imigrantes, até 2050, para poder equilibrar a conta entre os contribuintes e os beneficiários da segurança social.
Portugal aparece nas estatísticas do Eurostat com uma população de 10,5 milhões de habitantes. A estimativa oficial, do Instituto Nacional de Estatística, aponta para 10.529.255 em 31 de Dezembro de 2005. Segundo o INE, no ano passado houve uma quebra de 2,9 por cento no número de nascimentos, em relação a 2004. Mas os óbitos também caíram (6,2 por cento).
O crescimento natural da população portuguesa em 2005 foi o mesmo da média europeia: apenas 0,07 por cento. Em números absolutos, entre nascidos e mortos o país ganhou cerca de sete mil habitantes. Assim como no resto da Europa, a maior parte do aumento da população esteve por conta dos imigrantes - 41 mil novos estrangeiros, segundo o Eurostat.

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