Diário de Notícias - 13 Jan 06

Negoceie com o seu banco menos custos financeiros
Paula Cordeiro

 

Neste princípio de ano, muitos consumidores decidem alterar hábitos de consumo e poupar nas suas despesas correntes. A prestação do crédito à habitação, os gastos com cartões de crédito, as comissões a pagar aos bancos pela manutenção de contas são alguns exemplos de despesas que os clientes bancários querem sempre reduzir. Para o conseguir, basta analisar a suas reais necessidades em termos de serviços e produtos financeiros, fazer uma comparação entre bancos e não se deixar entusiasmar por alguma publicidade que induz ao facilitismo.

Nas várias frentes de despesas financeiras, a que mais pesa nos orçamentos das famílias é, sem dúvida, o crédito à habitação. É por aqui que convém começar.

Se há muito não revê as condições do seu empréstimo à compra de casa, deve dirigir-se ao seu banco e constatar qual a taxa de juro que está a pagar e, principalmente, qual a margem financeira que o banco aplica sobre ela, o chamado spread. Se o que lhe está a ser aplicado é superior a um ponto percentual, é um bom ponto de partida para negociar, especialmente se a sua relação com o banco é duradoura e possui outros produtos e serviços da mesma instituição. De acordo com cálculos feitos pelos bancos, por cada ponto percentual a mais na sua taxa , a sua prestação sobe cerca de 13%. Na actual conjuntura de subida dos juros, se conseguir reduzir, por exemplo, meio ponto percentual ao seu spread, conseguirá minimizar o efeito de subida na prestação.

Se possui um crédito pessoal, é mais difícil rever as condições. O ideal, como referiu ao DN Natália Nunes, jurista da Deco - Associação de Defesa do Consumidor, é comparar antecipadamente a oferta existente no mercado, especialmente a taxa anual efectiva garantida (TAEG) e ver o que realmente vai pagar.

Os cartões de crédito são outro dos produtos com taxas de juro elevadas e aos quais convém fazer bem as contas. As taxas anuais pagas ultrapassam os 20% e a estas há que acrescentar as anuidades. "Muitas pessoas gostam de ostentar vários cartões na sua carteira, sem se aperceberem do que estão a pagar", alertou Natália Nunes, aconselhando os consumidores a fazerem uma selecção e, também aqui, a comparar preços. A utilização criteriosa dos cartões como meio de pagamento é outro dos conselhos deixados pela Deco.

Os custos de manutenção de contas não param igualmente de aumentar e os clientes bancários têm de estar atentos à forma de os reduzir. De acordo com os conselhos da Deco, "abrir conta no banco certo permite poupar largas dezenas de euros por ano", resultantes de um estudo recente a 19 contas bancárias.

Segundo Natália Nunes, ter uma conta ordenado apresenta vantagens, uma vez que a maior parte não cobra despesas de manutenção. No entanto, utilizar o crédito da conta ordenado pode não ser vantajoso, uma vez que a (TAEG) varia, de acordo com a Deco, entre 12,46% e 24,16%.

Para pagar menos pelos serviços bancários - como fazer uma transferência, pedir cheques ou dar ordens de bolsa - os consumidores deverão habituar-se a utilizar as vias directas, ou seja, o telefone e a Internet.

À semelhança da atitude aconselhada em termos de crédito à habitação, o cliente deve igualmente rever, de tempo a tempo, as condições aplicadas aos seus produtos de poupança. De acordo com a oferta existente, há que analisar os prazos, as remunerações e adequá-las às necessidades e perfil do consumidor.

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