Público - 10 Fev 07

 

No perímetro de duas escolas
Crianças alvo de tiros de pressão de ar junto a escolas de Oeiras
Diana Ralha

Em menos de uma semana, quatro crianças foram atingidas por chumbos de pressão de ar. Na Quinta do Marquês estudam mil alunos

O medo instalou-se no perímetro das escolas da Quinta do Marquês e do Conde de Oeiras, na zona de Sassoeiros. No período de uma semana, quatro crianças foram atingidas por disparos de armas de pressão de ar. Os disparos ocorreram em três locais diferentes muito próximos dos portões das duas escolas, e um deles feriu com gravidade uma criança que teve de ser operada no serviço de neurocirurgia do Hospital de Santa Maria para retirar um chumbo que estava alojado na têmpora.
Um pequeno quiosque de venda de bebidas e comidas da Rua Sousa Martins também já foi alvo dos tiros de pressão de ar, mas o autor dos mesmos é ainda desconhecido. A proprietária do pequeno estabelecimento junto às escolas explica que os disparos devem ter ocorrido durante a noite, porque foi um agente da polícia que a alertou para os buracos nas paredes.
Em apenas uma semana a rotina da agitada e barulhenta Rua Sousa Martins, onde diariamente estudam cerca de mil estudantes, foi totalmente alterada por causa daquilo que a maioria acha que é "uma brincadeira de mau gosto da criançada".
Brincadeira de Carnaval ou não, foi o quanto baste para aterrorizar miúdos e graúdos. As crianças, por recomendação das directoras das duas escolas, passaram a evitar andar sozinhas na rua. Muitos pais que o PÚBLICO encontrou em frente ao portão das duas escolas sentem-se agora na obrigação de trazer e levar os filhos, apesar de viverem paredes meias com os estabelecimentos de ensino.
"As crianças estão apavoradas. O meu filho mora a dois minutos da escola, mas com o medo passou a ir por atalhos menos frequentados", diz uma moradora do bairro, que confessa também estar aterrorizada pela situação do atirador que já feriu quatro crianças. Outra mãe confessa: "Agora vou sempre levá-lo à escola e trazê-lo para casa."
A segurança parece estar garantida durante o horário lectivo. O PÚBLICO encontrou no local vários agentes da PSP a vigiar o perímetro - alguns fardados e outros à paisana -, apesar de a esquadra de Oeiras ter manifestado surpresa e desconhecimento relativamente à situação que se vivia no Bairro da Quinta do Marquês a meio da manhã de ontem, recusando-se, à tarde, a prestar quaisquer esclarecimentos sobre a operação em curso. De acordo com relatos de vários moradores e comerciantes, a Polícia Judiciária também já esteve no bairro a investigar a origem dos disparos.