Público - 5 Fev 07

 

Pais portugueses têm pouca noção dos riscos da Internet para crianças e jovens

 

Contactos de pedófilos com menores através de chats e acesso a conteúdos pornográficos são alguns dos perigos

Os pais, em Portugal, têm pouca percepção dos riscos da Internet para as crianças e os jovens, devido à falta de debate público sobre estas questões, alertou a coordenadora de um projecto europeu sobre segurança on line.
"O debate público sobre o uso seguro da Internet ainda não aconteceu em Portugal, pelo que os pais ainda não se aperceberam dos riscos aos quais os seus filhos podem estar expostos", disse à Lusa Sonia Livingstone, coordenadora do EU Kids Online, projecto comunitário que visa criar um guia de recomendações sobre a segurança das crianças e jovens no uso da Net.
A responsável explicou que, entre os maiores riscos a que as crianças se expõem na Internet, estão os contactos de pedófilos com menores através de chats (salas de conversação on line) e o acesso não solicitado a sites desadequados para a idade, com conteúdos pornográficos, racistas ou de violência extrema.
Por outro lado, sublinhou, as crianças e os jovens têm menos consciência de quando estão a fornecer informação pessoal a estranhos.
Como forma de sensibilizar as pessoas, a Comissão Europeia decidiu assinalar o dia 6 de Fevereiro, amanhã, como o "Dia Europeu para uma Internet mais Segura".
Primeiro estudo no país
Sonia Livingstone revelou ainda que Portugal é um dos três países europeus (os outros dois são o Reino Unido e a Polónia) onde, no âmbito do EU Kids Online, vai ser feito o primeiro estudo comparativo da "exposição das crianças aos riscos da Internet". "São países que se encontram na orla da Europa e que se distinguem dos restantes, na dimensão do risco no uso da Internet, no tempo de utilização deste meio e também na matriz cultural e religiosa", sublinhou. Os resultados serão apresentados em Junho.
Segundo a investigadora, no Reino Unido e na Polónia, o tema está a ser alvo de debate, com os pais a queixarem-se de falta de apoio e de não receberem orientações para lidar com estas questões. "O caso de Portugal é completamente diferente, porque não têm existido debates públicos sobre os riscos da Internet e não há qualquer cultura de segurança na utilização dos novos meios" , sublinhou.
Em Portugal, de acordo com o Eurobarómetro de Maio de 2006, que auscultou pais de menores de 18 anos, 53 por cento dos inquiridos não aplicavam quaisquer regras de segurança, colocando o país na 23.ª posição entre os 25 países da UE.
O inquérito realça que a principal regra sobre Internet imposta nos lares portugueses é o controlo do tempo. A regra de não dar informação pessoal era estabelecida apenas por 14 por cento dos inquiridos.
A coordenadora da equipa portuguesa que trabalha neste projecto, Cristina Ponte, disse à Lusa que, em relação a outros países, Portugal se encontra "numa situação bastante desconfortável", uma vez que os dados até agora recolhidos já evidenciam que "há uma menor percepção dos riscos ligados às novas tecnologias". Lusa