Público - 22 Fev 06

A objecção - Execução nos EUA adiada por recusa de participação de dois médicos

A execução de um californiano foi adiada ontem por 15 horas, depois de os dois anestesistas designados pelo tribunal terem recusado atestar as condições do detido, alegando motivos éticos. Michael Morales, 46 anos, acusado de ter violado e assinado uma jovem de 17, em 1981, foi condenado à pena de morte e devia ter sido executado ontem de manhã. Aos anestesistas competia certificar que Morales estava inconsciente no momento em que a injecção letal fosse ministrada e de forma a que a dor fosse menor. Sem a presença dos médicos, os responsáveis da prisão estadual de San Quentin vão ter de alterar a composição de químicos usada na execução. Na passada semana os advogados de defesa alegaram que a utilização da injecção letal constituía um castigo cruel, proibido pela Constituição. O juiz ouviu os argumentos e ordenou que fosse alterada a composição química da injecção. Ou então que estivessem presentes peritos médicos capazes de assegurar que, durante a execução, não era infringida ao condenado "dor desnecessária". É que há a hipótese de dois dos três químicos utilizados, que deveriam matar em poucos segundos, poderem levar vários minutos a fazer parar o coração. "Requerer a médicos que participem em execuções viola o seu dever de proteger vidas", alegou a associação americana de clínicos.

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