Expresso Online - 11 Fev 06

Sindicatos falam de critério «injusto» e «prejudicial»

Mais de 1500 escolas primárias vão ser fechadas

Paula Cosme Pinto / EXPRESSO Online

Quase 1600 escolas primárias vão ser fechadas no fim deste ano lectivo, «ultrapassando largamente» o número inicialmente previsto pelo Ministério da Educação, que apontava para apenas meio milhar. O critério de selecção é «injusto» e «prejudicial», queixam-se os sindicatos de professores.

O Norte e o Centro do país serão os mais afectados, com cerca de 900 e 500 escolas, respectivamente, a serem encerradas em Setembro. Os dados foram avançados pelos sindicatos de professores das duas regiões, que consideram estes números «um exagero».

«Parece que se entusiasmaram», critica o coordenador do Sindicato de Professores do Centro (SPC), Luís Lobo. «Há concelhos que vão ficar praticamente sem escolas».

Segundo as Direcções-Regionais de Educação (DRE), em Lisboa serão suspensas 96 escolas, no Alentejo 60 e no Algarve 16. Ao todo, 1572 escolas primárias vão ver as portas fechadas.

Para uma escola encerrar, basta o número de alunos ser inferior a 20 ou a taxa de aproveitamento ser inferior a 89 por cento, explicam as DRE, garantindo que a «grande prioridade» é dar às crianças «melhor qualidade educativa».

Quem discorda são os sindicatos dos professores. «Há escolas viáveis que, só por terem um aluno a menos, vão ter de fechar», alerta Luís Lobo. «Muitos miúdos de seis e sete anos vão ter de acordar às seis da manhã para fazerem viagens de mais de uma hora até à escola. Será isso melhor qualidade?», questiona.

Outra das críticas vai para a recolocação dos professores. As DRE garantem que os docentes «não vão ficar em situação complexa», sendo sempre colocados noutros estabelecimentos de ensino. No entanto, os sindicatos dos professores sublinham que «as condições e locais onde as recolocações vão ser feitas é que ninguém ainda sabe».

Os pais também têm demonstrado a sua apreensão. Mas, «se forem asseguradas as condições de transporte, ATL, regime normal de horários e alimentação», ninguém «fica contra», explica o director da Confederação Nacional de Associações de Pais (CONFAD), Albino Almeida. No entanto, as condições «ainda não estão criadas em muitas escolas», embora a «Sra. Ministra prometa rever todos os casos».

Os sindicatos acusam o Ministério da Educação de só ter «preocupações de ordem financeira», e de não ter pensado «nos aspectos sociais». «Não há medidas economicistas que resolvam os nossos problemas da educação», conclui o coordenador do SPC

WB00789_.gif (161 bytes)