Público - 17 Dez 08

 

Ser deputado nunca foi escravatura!
João Pedro Santos, Lisboa

 

Ao ler o comentário às faltas injustificadas dos deputados dada pelo dr. Almeida Santos, acho inacreditável a ousadia em comparar o exercício de um emprego privilegiado como o de deputado da Assembleia da República com o conceito penoso de escravatura. De facto, nunca me passou pela cabeça que em algum momento da legislatura os deputados sejam sujeitos a trabalhos forçados ou a uma restrição alimentar como acontece numa escravatura real! Acho asqueroso insinuar que os deputados devem ter direito a três dias de fim-de-semana, perdoando as faltas injustificadas dos deputados omissos às suas responsabilidades, por o dr. Almeida Santos apoiar a inclusão da sexta-feira como folga adicional aos deputados, ignorando os milhares de portugueses que vivem com dois empregos, sem folga ao fim-de-semana, e a trabalhar mais de 10 horas por dia.

 

É escandalosa a insinuação de mais vantagens a uma classe política que pouco tem feito para merecer sequer os benefícios e regalias implícitos às tarefas. Se o dr. Almeida Santos se sente injustiçado, por favor, dê o seu lugar a outro, porque certamente não faltarão candidatos a um poiso de palmadinhas nas costas e almoçaradas de camaradas.