Público última hora - 23 Abr 09

 

Despesas
O mês em que uma jornalista testou as principais teorias de poupança
Raquel de Almeida Correia

 

Em Março, segui as principais recomendações de especialistas para poupar dinheiro e descobri que, afinal, estava a gastar mais do que devia. No final da experiência, após vários embaraços e alguma persistência, ganhei quase 257 euros. O suficiente para fazer a diferença ao fim de um ano

 

Março foi um mês diferente. Sentia-me cansada de estar fechada no jornal a escrever sobre a crise e decidi propor "um trabalho experimental sobre poupança", disse ao editor. E assim foi. Durante 31 dias, cumpri à risca as principais regras recomendadas por associações de consumidores e especialistas em finanças pessoais. Eliminei gastos desnecessários, como a utilização diária do carro ou as frequentes idas a restaurantes. Comprei lâmpadas economizadoras, plantei salsa e orégão em casa, renegociei o seguro automóvel, converti-me ao SMS e até comecei a passar o dobro do tempo no supermercado a comparar preços.

 

Cheguei ao final da experiência com mais 257 euros na carteira, apesar de alguns embaraços, dores de aprendizagem e perdas de tempo. Agora, apesar de ser difícil pensar em novas economias, pretendo continuar a poupar a este ritmo. Metade do dinheiro que acumular ao final de um ano vai para o meu novo "Fundo para a Protecção da Mente" e o resto para gozar a vida, que bem preciso.

 

Em média, as minhas despesas mensais rondavam os 1192 euros. Fazer este cálculo, um dos mandamentos de todos os guias de poupança, foi uma das experiências mais dolorosas por que passei nos últimos tempos. Já por várias vezes tinha sido alertada por Natália Nunes, que todos os dias lida com casos de sobreendividamento na DECO, para o facto de "grande parte dos portugueses não fazer ideia de quanto dinheiro gasta por mês". Só nunca pensei que me incluísse nessa amálgama.

 

Tinha uma ideia, quase nítida, das minhas despesas fixas: renda, alimentação, combustível, gás, água, electricidade. Mas já há muito tempo tinha perdido o controlo às contas de telemóvel, ao desperdício em compras de ocasião e a outros pequenos "luxos", como deixar a lavagem do automóvel ou o tratamento da roupa em mãos alheias. Consumos que, num mês normal, chegavam a representar 45 por cento dos meus gastos totais, ou seja, 420 euros.

 

Para alguns, este montante parecerá exagero e, para outros, apenas trocos. Pois, para mim, constitui um verdadeiro problema. É que, afinal, também eu andava a gastar acima das minhas possibilidades. O orçamento de 1192 euros ultrapassava o meu vencimento, o que significa que, mês a mês, ia roubando umas migalhas às minhas poupanças. Ao fim de um ano, ter-lhes-ia suprimido quase 370 euros. Nem queria acreditar. E foi aí, mais ou menos às 12h00 de dia 1 de Março, que este trabalho começou a fazer ainda mais sentido.

 

Eliminar futilidades,

reduzir necessidades

 

Mandam os especialistas que, uma vez definidas as despesas mensais, se comece a limpeza. E assim fiz. Seleccionei os alvos a abater: idas ao restaurante, compras por impulso, cafés e doces de circunstância, aquelas peças de vestuário que tão depressa passam de imprescindíveis a bibelôs de roupeiro e qualquer outro tipo de desperdício de dinheiro.

 

Depois, vieram os gastos fixos: precisava de reduzir o consumo de água, de gás e de electricidade e, sobretudo, de combustível. E, por fim, uma mudança de estilo de vida: substituir o carro pelo comboio, passar a trazer almoço de casa para o trabalho e investir em hábitos mais económicos. Em menos de um dia, o plano estava traçado. E não faltaram fontes de inspiração.

 

Nos dias que correm, chega a haver excesso de informação sobre poupança, sobretudo da Internet. Comecei a pesquisa por "sites" de referência, como o da DECO (www.deco.proteste.pt) ou o Kash (www.kash.pt), que disponibiliza dicas e ferramentas úteis para aprender a economizar, e acabei por me perder pelas infindáveis páginas pessoais de meros curiosos, que, com os relatos das suas experiências mundanas, quase podem ser consideradas de serviço público.

 

Além disso, desde o início do ano que temos assistido à publicação em catadupa de livros sobre o tema, que acabam por dar uma ajuda à "ausência de educação financeira" que caracteriza os portugueses, diz Natália Nunes. "Somos um povo que é muito seduzido pela sociedade de consumo, mas que é muito pouco informado.

 

Dois factores que, juntos, só podem trazer graves consequências", refere a especialista da DECO, que viu o número de pedidos de ajuda de sobreendividados duplicar em comparação com o mesmo período de 2008.

 

Tempo é dinheiro,

mas recupera-se melhor

 

Mas voltemos ao meu orçamento. Se havia onde cortar, era na alimentação. Não tanto nos gastos com compras, mas antes na opção restaurante. Confesso que, no que diz respeito a desperdício, o meu comportamento tinha um fio condutor claríssimo: tempo é dinheiro. Estava disposta a pagar mais, desde que isso me libertasse de aborrecidas tarefas devoradoras de minutos de liberdade. Confesso. Sou uma fã da conveniência. E as refeições não fugiam à regra.

 

Almoçava no restaurante mais próximo, encomendava o jantar e eram poucas as vezes em que resistia a comprar o lanche ao "Sr. dos Bolos" - forma carinhosa como tratamos a pessoa que diabolicamente faz circular um carrinho cheio de pecados de estômago e de carteira pelos corredores do jornal todos os dias. Conclusão: chegava ao final do mês e tinha gasto quase 200 euros nesta brincadeira (105 euros com almoços, 75 euros com jantares e 18 euros com lanches).

 

De todos os hábitos, este foi o que levou a maior machadada. Durante os 31 longos dias de Março, concedi-me apenas seis dias de restaurante (cinco para almoçar e um para jantar) e cinco incursões sobre o carrinho dos bolos. Feitas as contas, as minhas despesas passaram de 198 para apenas 43 euros. Uma poupança de 155 euros. Inacreditável.

 

No entanto, para lá chegar, tive de abdicar dos tão preciosos minutos de liberdade porque passei a trazer o almoço e o lanche de casa. Na maioria das vezes, consegui trazer comida que sobrava do jantar do dia anterior (bastava cozinhar a mais) ou contei com a ajuda dos que, por morarem ou conviverem comigo, acabaram por solidariamente se envolver neste projecto. Mas também houve dias em que tive de cozinhar especialmente para o almoço do dia seguinte.

 

Além disso, a redução de gastos com alimentação acabou por levar a um aumento dos gastos com... alimentação. É que, ao abdicar de comer fora, tive de abastecer a despensa como nunca antes. E, portanto, o meu orçamento sofreu aquilo a que se chama de "transferência de consumo". Daí que as minhas despesas mensais com compras no supermercado tenham crescido 11 por cento para os 167 euros. Uma subida que, ainda assim, consegui controlar graças aos conselhos dos especialistas no que diz respeito a poupanças de prateleira.

 

Supermercado: comprar mais por menos

 

"Não faça compras sob 'stress', com pouco tempo ou sem nada no estômago. Faça sempre uma lista do que quer comprar. Compare os preços e esteja atento às promoções". Dicas não faltam para quem quiser poupar no supermercado. Depois de as adaptar ao meu perfil (preferência pela proximidade das lojas, pouquíssima paciência para tudo o que signifique estar enclausurada entre quatro paredes e especial apetência para experimentar tudo o que são novos produtos no mercado), dei início ao meu périplo como consumidora consciente.

 

E, de novo, o tempo. Fazer uma lista de compras demora, em média, cinco minutos, até que se comece a ganhar o jeito. Consultar os folhetos promocionais e seleccionar os produtos que entram no carrinho obriga-me a pausa igual antes de atacar as prateleiras. E toda a experiência de comprar barato, com comparação de preços, pesos e prazos de validade leva uma eternidade. A consciência custou-me, pelo menos, o dobro do tempo da inconsciência que até aqui praticava. Porém, permitiu-me levar muito mais produtos para casa.

 

Alguns exemplos. Em vez de 500 gramas de abacaxi previamente descascado e cortado por 3,20 euros passei a comprar abacaxi à moda antiga, a 1,75 euros por quilograma. Deixei de comprar fiambre embalado e passei a tirar a senha e a escolher fiambre ao balcão. Só com isso, poupo cerca de 0,20 euros por cada 200 gramas. E comecei a pensar duas vezes antes de comprar marca própria (produtos comercializados pela grande distribuição).

 

É que, ao contrário do que se pensa, nem todos os artigos são mais baratos. Se há coisa praticamente certa são as promoções, sobretudo nos perecíveis (ovos, leite ou iogurtes). Mas já há grandes superfícies a controlar as compras dos clientes. Numa das minhas muitas viagens, lia-se num letreiro a letras garrafais "Por causa da promoção ao azeite X [que custa 1,90 euros por litro], o produto tem tido muita procura. Por isso, só é permitido levar 12 unidades por cliente".

 

De pequenas poupanças

a grandes economias

 

Ao longo deste projecto de poupança, a maior mudança deu-se não tanto na forma como passei a comprar, mas no que deixei simplesmente de comprar. No apartamento onde vivo não consigo ter uma horta, mas arranjei espaço para "as minhas meninas". "As minhas meninas" são, simplesmente, duas plantas corriqueiras (salsa e orégão) que aprendi a cultivar, com a ajuda do "site" A Super Semente (http://isla.com.br).

 

Comprei as sementes por 2,38 euros e plantei-as, como mandam as regras da economia, na base de uma garrafa de água vazia.

 

Ao fim de um mês, não só ainda não tinham morrido, como já apresentavam um ar de quem fará as delícias de um qualquer prato. Se continuasse a comprar estes dois temperos, que uso numa base quase diária, continuaria a pagar, em média, 0,75 cêntimos por cada oito gramas de orégãos e por cada 50 gramas de salsa.

 

O cultivo em casa é um medida de contenção género funil, cujo impacto não se sente no imediato. Outras há, porém, com um efeito colisão, que nos levantam do chão e nos obrigam a admitir que somos, de facto, pouco ajuizados. Foi isto que aprendi ao calcular (e, agora, ao admitir publicamente) o que gasto, todos os meses, com as deslocações de carro.

 

Note-se que, quando comprei viatura própria, tive em atenção a economia futura. Tenho um Smart de dois lugares, conhecido por ter consumos baixos e, acima de tudo, por caber em praticamente qualquer lugar (dos que não têm parquímetro). E, mesmo assim, despendia, em média, 214 euros com deslocações, maioritariamente no percurso casa-trabalho.

 

Moro em São João do Estoril, freguesia do concelho de Cascais, a cerca de 27 quilómetros do jornal, por sua vez, instalado em pleno centro de Lisboa. Por cada viagem, pagava 1,25 de portagem e gastava dois litros de gasolina, que equivaliam a 2,37 euros. Fora o desgaste do carro.

 

Comboio e vista sobre

o Atlântico

 

A seguir aos restaurantes, foi neste item que mais dinheiro poupei. Em Março, mudei de vida. Agora, tenho passe. Saio de casa três minutos antes de o comboio partir, leio um livro nos 50 minutos de viagem ao largo do Atlântico e, depois, do Tejo e encolho-me nos restantes 20 minutos que o metropolitano de Lisboa leva a trazer-me ao trabalho. Troquei 30 minutos de Smart (que tinham tanto de conforto, quanto de atentado à sanidade mental) por 1h10 de transportes públicos. Em vez de 132 por mês, passei a gastar 50 euros (preço do passe) para fazer este percurso. Acho que não é preciso dizer mais nada.

 

Deixei de levar o carro para ir às compras (convenhamos que o supermercado mais próximo fica a 300 metros). Usei o comboio para me deslocar a Coimbra e, em vez de 55 euros em combustível e portagens, gastei 30 euros na turística do Intercidades da CP (o Alfa Pendular custaria mais dez euros e chegaria apenas oito minutos mais cedo). Dei finalmente uso aos sete euros que pago por mês para ser sócia do ACP e passei a ter um desconto de 0,04 euros por litro de gasolina na Repsol. (E estou à espera há mais de um mês que me enviem o novo cartão com descontos de 0,06 euros).

 

Comecei a consultar "sites" que controlam os preços praticados pelos postos de abastecimento, como o www.precoscombustiveis.dgge.pt, da Direcção-Geral de Energia e Geologia, ou o www.maisgasolina.com. Disse adeus às portagens e passei a usar as vias alternativas, que, além da poupança imediata, me obrigam a moderar a velocidade. E deixei de conduzir de vidros abertos, de fazer ultrapassagens desnecessárias e de abastecer à noite para evitar a vaporização do combustível.

 

Ainda quanto ao ACP, clube de que faço parte desde que comprei carro porque a inscrição me permitiu uma poupança de 500 euros na compra, aproveitei para renegociar o seguro automóvel. O valor da minha apólice já é baixo, tendo em conta os preços praticados, mas, depois de uma única chamada, que durou pouco mais de dez minutos, percebi que consigo baixá-lo em mais de 25 euros, mantendo as mesmas coberturas. Alteração que só poderei fazer em Agosto, mês em que efectuarei o pagamento do seguro, porque, por lei, se procedesse agora à transferência, perderia o montante que já está pago.

 

Arrendar bom e barato

 

ou renegociar o "spread"

 

Quem ler este texto e chegar até a este ponto certamente se interrogará: "E o crédito à habitação? Não é suposto começarmos, finalmente, a gastar menos dinheiro?". Pois bem. Eu vivo em casa arrendada. Escolhi este regime por duas razões: dá-me mobilidade e permite-me morar numa casa que ficaria demasiado caro comprar.

 

O t2 onde vivo, com vista para o mar, segurança 24 horas por dia e piscina colectiva, está avaliado em cerca de 225 mil euros. Uma simples simulação no "site" de um banco serviu para perceber que a prestação ficaria muito mais elevada do que a renda que pago (600 euros). Além disso, não tenho encargos com a manutenção do imóvel, nem com impostos. E sou livre, de um certo modo.

 

No entanto, esta não é a opção da maioria dos portugueses, que, em 2009, vão poder tirar partido da renegociação do crédito à habitação graças à descida das taxas de juro. A última revisão do Banco Central Europeu colocou a taxa de juro de referência na Europa a 1,25 por cento, o que tem uma influência directa nas despesas da família com empréstimos bancários.

 

Há cerca de um ano, quando as taxas estavam muito mais elevadas (o que facilita a negociação), um amigo meu decidiu que estava na altura de baixar o spread (margem de lucro das instituições financeiras) do seu empréstimo. Acabou por ser bem sucedido, mas precisou de alguma insistência, de cerca de mês e meio para chegar ao fim do processo, e tem a noção que a redução, de 0,7 para 0,5, só aconteceu porque tinha uma oferta concorrente. Pode parecer pouco, mas a redução do spread é a melhor forma de reduzir o pagamento (seguido pela renegociação do seguro de vida), já outras medidas, como o alargamento do período de pagamento aumentam sempre a despesa total. O certo é que, embora saiba que poupou (0,2 pontos percentuais vezes 240 meses, com um empréstimo, na altura, de 115 mil euros), esse meu amigo não sabe dizer quanto é que deixou de pagar.

 

Além da casa, há outras despesas que todos partilhamos: água, gás e electricidade. E também neste ponto há margem para melhorias. No meu caso, estes gastos situavam-se, em média, nos 53 euros mensais, mas isso era antes de começar o mês de Março. Em pouco tempo, aprendi uma série de regras que me permitiram reduzir essas contas em dez euros, o que, ao final de um ano, significa uma poupança de 120 euros.

 

No que diz respeito à electricidade (o item com maior peso nestas despesas), fui obrigada a fazer alguns investimentos, nomeadamente na compra de lâmpadas economizadoras (69,90 euros), capazes de diminuir a factura em 20 por cento, e no isolamento das janelas, por entre as quais perdia muito do calor acumulado com aquecimento. Gastos que vão acabar por compensar, a longo prazo.

 

A mudança de hábitos que incomodou os vizinhos

 

O primeiro passo foi ligar para a EDP e, 15 minutos depois das devidas explicações, passei a ser detentora de uma tarifa bi-horária. No entanto, não poderia ter escolhido pior. É que, com a vida que levo, não consigo ter horários para gastar energia e acabei por ganhar inimigos no prédio, graças às lavagens de roupa nocturnas.

 

No final, perdi dinheiro com esta opção porque poucas eram as tarefas que executava entre a meia-noite e as 07h00 (o horário escolhido) e aos fins-de-semana. Logo, não poupei na facturação dos quilowatts e gastei mais 2,50 euros com encargos pela potência contratada.

 

Houve, ainda assim, algumas tácticas que contribuíram para a diminuição da minha factura em quatro euros. Passei a desligar todos os electrodomésticos na tomada, ao contrário do que acontecia até aqui, principalmente, com a televisão do quarto. E passei a tratar o frigorífico com mais carinho, evitando a abertura escusada de portas e deixando a comida arrefecer para não o obrigar a gastar demasiada energia.

 

Os gastos com gás também levaram um corte razoável, passando de 20 para 17 euros. Tudo porque deixei de me esquecer de desligar a chama-piloto do esquentador, a cozinhar com tampa para eliminar o desperdício de calor e porque adoptei, como medida de força e contra tão queridos hábitos de infância, as temperaturas baixas. É que cerca de 15 por cento da energia de uma casa com esquentador vai para aquecer a água.

 

E, por falar em água, até me posso gabar de ser uma cidadã minimamente preocupada. Só recorro à máquina de lavar roupa quando atinjo o patamar da carga máxima, gasto apenas o necessário para fazer chá, utilizando a caneca para medir a quantidade de água e sou a pior inimiga de torneiras a pingar. No entanto, quando este projecto começou, tive de abdicar de um bem que tinha como precioso: os desperdícios no duche.

 

Os especialistas proíbem que se deixe a água a correr entre lavagens, argumentando que um chuveiro pode gastar entre seis e 25 litros de água por minuto. Não tive outra hipótese que não habituar-me aos inesquecíveis segundos ao frio. Mas, enfim, posso dizer que a racionalização da utilização de água compensou: num mês, a factura passou de oito para cinco euros, o que, no final de um ano, dá uma poupança de 36 euros. Sem falar dos ganhos ecológicos.

 

 

O que fazer com as minhas poupanças?

 

Depois desta experiência, há vários pequenos hábitos que vão ficar: fazer menos chamadas de telemóvel e utilizar mais o SMS (porque consegui um tarifário com mensagens escritas a custo zero para a minha rede), ir ao cinema à segunda-feira e deixar de gastar 36 euros em tabaco todos os meses, agora que sou, a algum custo, ex-fumadora. Mas há também pequenos luxos de que não vou abdicar. Não tenho paciência para passar roupa, nem me dou bem nas estações de lavagem de carros.

 

Ainda assim, aprendi que a poupança é possível, ao contrário do que preconizam muitas pessoas. O modelo "chapa ganha, chapa gasta" parece-me, agora, longínquo, apesar de os meus hábitos ainda recentes não jogarem muito a meu favor. Bastaram 31 dias para perceber que, num mês, consigo poupar o suficiente para passar um fim-de-semana em Roma e que, num ano, posso pagar as propinas do mestrado que tenho vindo a adiar.

 

Dos quase 3100 euros que vou conseguir pôr de lado em 12 meses, sem contar com subsídios de Natal e de férias, metade será automaticamente conduzida para uma conta poupança criada para dar vida ao "Fundo de Protecção da Mente". Uma espécie de mealheiro virtual onde vou passar a guardar dinheiro para investir em formação. Com o resto, farei o que bem entender. Porque isto de perder tempo a poupar tem um custo, nem que seja psicológico. E nada melhor do que uma viagem ou do que um SPA para o reaver.

 

[Texto publicado no Suplemento Economia]