Público - 26 Abr 08

 

O estudo
Mariana Oliveira

 

Jovens privilegiam outras formas de participação política para além do voto

 

Os jovens assinam mais petições ou boicotam mais vezes produtos por razões políticas ou ambientais do que o resto da população. Em contrapartida parecem dar proporcionalmente menos importância ao voto. O dado consta de um estudo feito pela Universidade Católica a pedido do Presidente da República, que ontem apresentou algumas das suas conclusões no parlamento.

 

O estudo, intitulado Os Jovens e a Política, teve por base 1949 inquéritos feitos aleatoriamente a residentes do continente com mais de 15 anos, tendo as respostas sido analisadas por faixas etárias.

 

Nas conclusões do estudo, Pedro Magalhães e Jesus Moral, os seus autores, reconhecem que o voto é o modo de participação política a que os jovens atribuem menos eficácia e, por isso, tendem a praticar menos. Todavia, avaliam este défice com o facto de os mais novos terem dificuldades em se identificarem com a oferta partidária existente e com as categorias nas quais o combate político e ideológico ainda é travado. E não tanto pelo facto de estarem mais alheados da vida cívica do que o resto da população.

 

Prova disso é o facto de 67 por cento dos menores de 17 anos e 63 por cento dos jovens entre os 18 e os 29 acharem pouco ou nada importante a separação entre esquerda e direita. Relativamente à identificação com um qualquer partido, verificou-se que apenas 19 por cento dos jovens dos 15 aos 17 disseram sentir essa simpatia, um número que na faixa etária seguinte (18-29 anos) subiu para 45 por cento. Os investigadores notaram também que os jovens dão menos importância à divisão esquerda-direita, tendendo o seu posicionamento ideológico dos jovens a estar mais à direita do que a generalidade da população

 

Outro aspecto salientado pelos dois investigadores é a predisposição "altamente favorável" mostrada pelos portugueses para a introdução de reformas políticas. Apesar de já ser conhecido o desencanto da população em geral com o funcionamento do sistema político, não deixa de impressionar que 48 por cento dos inquiridos defendam que a sociedade actual "necessita de reformas profundas" e 23 por cento sustentem mesmo que o cenário "deve ser radicalmente mudado". Aqui, a maior parte dos mais jovens (15-17 anos) acredita que a sociedade "pode melhorar com pequenas mudanças", sendo igualmente neste grupo que a resposta "está bem como está" teve mais adeptos (6 por cento). Uma diferença face às restantes faixas etárias que tendem a concordar na necessidade de reformas profundas.

 

Foram apresentadas um conjunto genérico de mudanças que tiveram a concordância dos inquiridos. A que reuniu maior consenso foi a de potenciar a presença das mulheres nas instituições políticas, seguida pela criação de novos mecanismos de participação dos cidadãos nas decisões políticas e de mudar o sistema eleitoral de forma a dar mais ênfase aos candidatos e menos aos partidos.

 

Quanto à informação política, salta à vista que os jovens são os que menos se interessam pelo tema. A leitura diária de notícias de política só é habitual em um por cento dos jovens dos 15 aos 17 anos e em oito por cento dos 18 aos 29. Os leitores mais assíduos deste tipo de informação são os com mais de 65 anos (24 por cento). A televisão é o meio de comunicação mais usado para obter notícias políticas, seguida a grande distância pela rádio, depois pela imprensa e no fim pela Internet.