Público última hora - 14 Abr 08

 

Jornadas Parlamentares
CDS-PP quer avaliação aos programas do primeiro ao nono ano de escolaridade
Margarida Gomes

 

O CDS-PP vai propor que se faça uma avaliação aos programas que são ministrados nas escolas, nomeadamente em relação às disciplinas de matemática, língua portuguesa, história e inglês, anunciou hoje, em Viseu, o líder da bancada parlamentar.

 

Diogo Feio, revelou que o seu partido irá apresentar ainda esta semana na Assembleia da República um projecto de lei para que se proceda a uma avaliação dos programas escolares do ensino básico que vai do primeiro ao nono ano.

 

O deputado popular que falava aos jornalistas no final de um painel sobre "Saúde" no âmbito das Jornadas Parlamentares do CDS-PP que encerram amanhã com uma debate sobre "Indisciplina na escola", declarou também que os democratas-cristãos propõem a criação de uma comissão de avaliação na qual deverá ter assento o Ministério da Educação, mas também representantes da disciplina em causa e pessoas ligadas às sociedades científicas. O objectivo, precisou, é a partir dessa avaliação, fazer-se uma "alteração curricular" para que se deixem de ouvir queixas de que não se "aposta nas disciplinas mais importantes".

 

Para o líder parlamentar, "a política da educação deve ser discutida no seu centro: a sala de aula" E referiu que "se deve por em causa aquilo que este ministério não quer que é o eduquês".E nesse sentido deixou um desafio a Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, para que aceite esta proposta que prevê uma avaliação e para que aceite uma cultura para dentro das escolas de exigência, de disciplina, e de determinação do papel do professor e do aluno". "A avaliação deve ser global. Todos dentro do sistema de ensino devem estar sujeitos a princípios de avaliação, esclareceu ainda o deputado, considerando "ser perfeitamente possível" que esta avaliação entre já em vigor no "início do próximo ano lectivo e nas disciplinas mais relevantes e mais importantes".

 

Entende Diogo Feio, que "o programa deve ser sujeito à avaliação da comissão e se a avaliação for negativa serão feitas alterações ao próprio programa. Este programa deve ter como objecto o ensino básico que vai do primeiro ao nono ano, porque estamos preocupados com aquilo que se passa no ensino primário", esclareceu ainda.

 

O debate sobre "Saúde" apontou críticas às novas parcerias público-privadas só para a construção de hospitais. O novo modelo proposto pelo Governo de José Sócrates não agrada ao grupo Espírito Santo Saúde. José Roquete, director do Hospital da Luz, deixou claro que nos actuais moldes" o grupo não está interessado" em fazer parcerias. " Não nos interessa nada este ziguezaguear constante, em que hoje é uma coisa, amanhã é outra e depois é outra", critico, numa alusão às recentes alterações anunciadas por José Sócrates

 

Também o Manuel Antunes, director a unidade de cirurgia cardíaca dos Hospitais da Universidade de Coimbra, considera que as novas regras são pouco atractivas. "Não sei quem é que vai querer só construir e depois não regular o resto, também vai depender do preço que lhe pagarem, naturalmente".

 

Manuel Antunes denunciou ontem em Viseu que "interesses corporativos, tanto internos como externo" a par da"própria inércia do Sistema Nacional de Saúde (SNS) têm impedido a implementação de reformas cada vez mais desesperadamente urgentes". E advertiu que "nunca será possível resolver o problema da falta de produtividade e da qualidade de atendimento dos nossos hospitais enquanto cada um dos sectores não for individualizado e profissionalizado, não sendo lógico nem aceitável que os mesmos agentes controlem a prestação no sector público e no sector privado, num sistema em que a oferta gera a procura".